De acordo com Andrew Storfer, diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), para ter uma Selic acima dos 10%, a inflação precisaria subir para 5,5% ao ano, o que pelas condições atuais não há espaço.

“Se levarmos em consideração o juro real – ou seja, o juro de equilíbrio, aquele que promove o crescimento sem pressionar a inflação –, este precisaria subir para 4% a 5%, e a inflação chegar aos 5,5%, para que houvesse a necessidade da Selic superar 10%. Esse movimento seria resultado de um forte aumento do emprego, da renda e, assim, do consumo, o que não deve acontecer entre 2018 e 2019”, explica o economista.

De fato, o Banco Central (BC) informou ontem, no Relatório de Trimestral Inflação (RTI), que a previsão é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine 2018 em 4,2%, continuando neste mesmo patamar em 2019 e para 4,1% em 2020. Ao passo que a taxa de juros possa atingir 6,75% já no começo do ano que vem e avance para 8% em abril de 2019, ficando neste percentual até 2021. Hoje, a Selic está em 7%.

“A expectativa é de que os juros caiam para 6,75% em fevereiro. Isso é possível porque o juro real deve estar em torno de 3,5%, com uma inflação que deve fechar por volta de 3%. O Copom [Comitê de Política Monetária] até poderia reduzir para 6,5%, mas não faz sentido diminuir muito por causa da previsão de que os preços irão subir. Desta forma, a expectativa é de chegue aos 6,75% e possa até continuar neste patamar ao longo de 2018”, comenta Andrew Storfer. Ele entende que mudanças neste cenário dependem da atuação fiscal do governo federal. Mas lembra que uma redução maior dos juros afugentaria os investimentos (privados e estrangeiros) necessários para financiar as contas públicas.

A perspectiva de que o IPCA aumente em 2018 está embasada na recuperação, mesmo que gradual, da economia brasileira – o que gera emprego, renda e, desta forma, maior demanda – e em uma projeção de safra inferior a 2017 – o que eleva os preços dos alimentos, forte componente do índice.

Cenário inédito

Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) praticamente confirmou que o IPCA de 2017 deve fechar a abaixo de 3%, o piso da meta estabelecida pelo governo. O IPCA-15 atingiu 2,94% no acumulado do ano, com uma deflação de 2,15% do grupo Alimentação e Bebidas.

Fatores como a safra recorde registrada em 2017 e a recessão econômica puxaram os preços para baixo, levando em conta que em 2016 o IPCA acumulado fechou em 6,29%. Este cenário favoreceu para que a taxa Selic atingisse o menor patamar da série histórica.

Fonte: http://www.dci.com.br/economia/selic-deve-fechar-d%C3%A9cada-com-taxa-de-um-d%C3%ADgito-e-infla%C3%A7%C3%A3o-dentro-da-meta-1.604336