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- 28/02/2019 - 07:00
Indicado para o Banco Central defende autonomia da instituição em sabatina no Senado

O economista Roberto Campos Neto, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de presidente do Banco Central (BC), defendeu em sabatina no Senado nesta terça-feira (26) a autonomia da instituição.

A sabatina, na Comissão de Assuntos Econômicos, começou no período da manhã e faz parte do trâmite para aprovação de um indicado à presidência do BC. Para assumir, Campos Neto deve ter o nome aprovado pelos senadores da comissão e depois pelo plenário da Casa.

Ele afirmou que o objetivo da autonomia do BC é “aprimorar o arranjo institucional de política monetária [definição dos juros para atingir as metas de inflação], para que ela dependa menos de pessoas e mais de regras, e para que estejamos alinhados à moderna literatura sobre o tema e aos melhores pares internacionais”.

A autonomia da instituição também é defendida pelo atual presidente do banco, Ilan Goldfajn, e consta como um tema na agenda dos primeiros 100 dias do governo.

Campos Neto lembrou que existem projetos em discussão no Congresso sobre o assunto, e disse acreditar que o país esteja “maduro para mais esse avanço”.

“A mudança, se aprovada por esse Parlamento, trará ganhos para a credibilidade da instituição e para a potência da política monetária, reduzindo o tradeoff de curto prazo entre inflação e atividade econômica e contribuindo para a queda das taxas de juros e o crescimento econômico”, avaliou.

Ele também descartou a possibilidade de redução dos juros básicos, atualmente na mínima histórica de 6,5% ao ano, para promover apenas um crescimento maior da economia.

“A coisa mais importante para o crescimento é a estabilidade de preços. Nos países onde se sacrificou inflação por crescimento, a expansão da atividade durou pouco e depois houve recessão. Isso aconteceu também no Brasil”, afirmou, no Senado Federal.

Ele disse ainda, em seu discurso inicial, que o Estado brasileiro se tornou “grande demais, ineficiente, excessivamente custoso e não atende a muitas das necessidades básicas de nossa população”.

“A nação já percebe a necessidade de reformas e precisamos empregar essa oportunidade na criação de uma cultura em que haja mais empreendedores e menos atravessadores”, afirmou ele. Acrescentou, ainda, que o governo está trabalhando para implementar uma agenda “liberalizante”.

“É hora de fazer mais com menos recursos. É necessário eficiência, transparência, prestação de contas e mensuração de impacto quanto ao uso de recursos públicos. E, talvez mais importante que isso, é necessário que o Estado abra espaço para a atividade privada, saindo de cena, ou reduzindo drasticamente sua atuação, em diversas áreas”, declarou.

Roberto Campos Neto também defendeu a aprovação da reforma da Previdência. O texto foi enviado pelo governo ao Congresso na semana passada.

“Quanto à questão fiscal [relativa às contas públicas], o país precisa avançar na estratégia dos ajustes e reformas, em particular, mas não apenas, na reforma da Previdência, para que possa colocar o balanço do setor público em trajetória sustentável”, afirmou.

De acordo com ele, é preciso “agregar a sociedade” em torno dessas questões, com a participação de todos. “A estabilidade fiscal [contas públicas em ordem] é fundamental para a redução das incertezas, o aumento da confiança e do investimento, e o consequente crescimento da economia no longo prazo”, acrescentou.

Caso tenha seu nome aprovado para chefiar o Banco Central, o economista afirmou que trabalhará pela modernização do sistema financeiro para que continue “líquido, capitalizado e bem provisionado”.

“O mundo passa atualmente por uma onda de inovação e mudanças. É crucial pensar hoje em como será o sistema financeiro no futuro e preparar o Banco Central do Brasil para desempenhar apropriadamente suas funções nesse novo ambiente, que será certamente baseado em tecnologia e no fluxo rápido de informação”, declarou.

Campos Neto, de 49 anos, é formado em Economia pela Universidade da Califórnia, com especialização em Economia com ênfase em Finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Ele trabalhou no Banco Bozano Simonsen de 1996 a 1999, onde ocupou os cargos de Operador de Derivativos de Juros e Câmbio (1996), Operador de Dívida Externa (1997), Operador da área de Bolsa de Valores (1998) e Executivo da Área de Renda Fixa Internacional (1999).

De 2000 a 2003, Campos Neto, segundo o perfil que consta no site do Santander, trabalhou como Chefe da área de Renda Fixa Internacional no Santander Brasil.

Em 2004, ocupou a posição de Gerente de Carteiras na Claritas. Ingressou no Santander Brasil em 2005 como Operador e em 2006 foi Chefe do Setor de Trading. Em 2010, passou a ser responsável pela área de Proprietária de Tesouraria e Formador de Mercado Regional & Internacional.

 

Fonte: G1

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