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- 07/01/2019 - 09:45
“Uber de cargas” divide opiniões do setor logístico no Ceará

A ideia da equipe do presidente Jair Bolsonaro de criar ferramentas de tecnologia para resolver os entraves no transporte rodoviário de cargas divide opiniões no Ceará. Para o coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Heitor Studart, a medida é um paliativo para o setor. Já Augusto Fernandes, CEO da JM Aduaneira, considera que, a curto prazo, o projeto pode ameaçar as transportadoras, mas no longo prazo deve diminuir os preços do frete.

“Trata-se de um paliativo. Isso apenas é uma medida pontual, jamais uma medida para solucionar o problema dos caminhoneiros e nem do empresariado. Nós achamos que o livre mercado se regula como sempre foi. A tabela de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está no Supremo Tribunal Federal (STF) aguardando uma medida constitucional. Então, isso tudo tem que ser definido agora nos meses de janeiro e fevereiro em função do próprio corte do subsídio do diesel que se acaba nesse mês”, aponta Studart, mencionando a solução apontada para a greve dos caminhoneiros, considerado um dos maiores entraves para a economia do País.

“Vai mudar bastante. Toda renovação e introdução de novas tecnologias são importantes. O ‘Uber de cargas’ não é novo. É antigo e já funciona no Brasil. Não é uma ideia inovadora e roda no Sudeste. Uma empresa já funciona nesse modelo e o Governo foi muito inteligente em propor essa medida logo no começo do ano”, argumenta Fernandes.

Impactos

Apesar de ainda não terem sido definidas as regras para o “Uber de cargas”, os especialistas dimensionam alguns impactos positivos, como a redução do frete rodoviário e a possível diminuição das burocracias no setor. “Um dos grandes problemas criados para o Nordeste foi o frete do retorno. Então, em função da demanda e da nossa distância ser muito grande dos centros produtivos do País, o empresariado é obrigado a pagar o retorno do frete vazio. Com esse ‘Uber de cargas’, o caminhoneiro pode dispor de uma ferramenta interna de locar essa carga vazia que ele teria ao chegar aqui e não ter o prejuízo do retorno ou dividir com o contratante esse frete de retorno”, diz o coordenador de Infraestrutura da Fiec, explicando alguns efeitos positivos caso o projeto sejam implementado no Brasil.

“O Ceará é dominado por algumas transportadoras, que terão sobressalto sobre isso, principalmente na receita final. Mas o consumidor e as empresas vão ganhar com a redução dos preços dos fretes. A curto prazo teremos a luta das classes envolvidas. A médio prazo haverá adaptação dessa mudança. O impacto sobre isso na macroeconomia vai ser gigante”, projeta Fernandes.

Solução

Para Studart, é necessário fazer toda renegociação a respeito da tabela de frete. “Primeiro, o setor privado partiu para fazer uma cooperativa de caminhões para não se submeter ao subjugo dos caminhoneiros”, relembra. “Isso criou mais um problema em função da larga quantidade de gente que está sem trabalhar e com o caminhão em ponto de uso. Então, eles têm uma alternativa do Uber, mas isso absolutamente não vai resolver o problema”.

Independente da ferramenta, o Governo promete que manterá uma tabela com preços mínimos do frete. Como diz a lei aprovada no ano passado, serão valores suficientes para cobrir os gastos operacionais dos caminhoneiros. As propostas devem ser apresentadas nesta semana.

Ideia de que o transporte de cargas no País funcione como os aplicativos de corridas foi lançada pelo Governo Federal na última semana, mas a falta de detalhes deixa setor produtivo sem opinião comum definida

Histórico

Segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, hoje, “o embarcador paga caro pelo frete e o caminhoneiro recebe pouco”. “Então, tem um problema no meio do caminho, os atravessadores, que vamos tentar eliminar”, afirma. Sem dar detalhes, ele afirmou que existem três ou quatro soluções tecnológicas para o transporte de cargas que serão apresentadas Como o próprio nome sugere, o “Uber de cargas” deve conectar produtores e caminhoneiros por aplicativo. A dúvida é sobre os preços e a regulamentação.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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