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- 27/11/2019 - 08:00
Tempo de retorno de projetos de energia pode quase dobrar na Capital

O investimento em painéis solares deve demorar quase o dobro de tempo para dar retorno (payback) a consumidores da Capital caso a proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para modificar o sistema de compensação de créditos da energia solar entre em vigor. Segundo levantamento da Comerc Energia, o payback passaria dos atuais 3,51 anos para 6,64 anos, considerando as tarifas em vigor em Fortaleza.

Nesse cenário, de abril a novembro, Fortaleza perdeu três posições no ranking que avalia o retorno de projetos residenciais de energia solar (baixa tensão), ficando na 17ª posição entre as capitais brasileiras com o resultado de 3,51 anos, segundo atesta o Índice Comerc Solar divulgado, ontem (27), durante workshop promovido pela empresa em São Paulo. Em Teresina (PI), primeira do ranking, a taxa de retorno é de 2,85 anos e em São Paulo (SP), última colocada, de 5,12 anos.

De acordo com Marcel Haratz, diretor da Comerc Energia, o fator que tem maior impacto na taxa de retorno do investimento é o preço da tarifa de energia cobrada em cada uma das capitais. “Quanto mais alta a tarifa, mais vantajoso é o investimento em energia solar”, diz. Os outros fatores são a insolação no local do projeto e o custo dos equipamentos.

Haratz destaca que, mesmo nas cidades que apresentam os piores retornos, a resposta é positiva para quem investe em placas solares, tendo em vista que os equipamentos têm vida útil de aproximadamente 20 anos, em média. “É muito melhor do que muitos investimentos bancários”, afirmou Haratz. No ranking, Fortaleza figurou entre os destaques negativos, juntamente com Salvador (BA), que também caiu três posições.

O destaque na lista “fica por conta de Brasília, que subiu de 18º para 13º, e Porto Velho, que melhorou quatro posições no ranking (22º para 18º)”, indica o estudo.

Ameaça ao retorno

Sobre as possíveis mudanças na regulamentação do setor de geração distribuída propostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Haratz diz que, apesar do impacto negativo no retorno dos projetos solares, o pior cenário é a incerteza sobre a aplicação das alterações, prevista para 2020, o que pode travar novos investimentos.

A proposta da Aneel está em consulta pública até o fim de dezembro. Para incentivar a geração própria, a agência criou em 2012 um sistema de compensação por meio do qual o usuário fica com uma espécie de crédito a ser utilizado para diminuir a fatura em meses seguintes quando a energia gerada for superior à consumida. Mas para que esse sistema funcione, as unidades residenciais precisam estar conectadas à rede de distribuição. O valor pago por esses consumidores às distribuidoras é a diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido. Quem gera mais do que consome apenas paga uma taxa mensal de cerca de R$ 50.

No entanto, segundo o novo entendimento da Aneel, esses produtores devem começar a pagar pelo custo de uso da rede e encargos setoriais, como todos os outros consumidores no País. Hoje, o Ceará tem o nono maior potencial de geração solar do País e o maior do Nordeste em geração distribuída, que envolve as unidades de geração residenciais.

Dobro do tempo

De acordo com estudos da Comerc, no pior cenário proposto pela Aneel para o setor, em que não haveria o crédito de toda Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), o retorno de projetos residenciais dobraria, passando de 2,28 anos para 5,26 anos.

No caso de melhor taxa de retorno, passaria de 5,12 anos para 11,26 anos na questão das unidades com as piores taxas de retorno. “Faz sentido que a distribuidora seja remunerada pelo uso do fio, seja em dias de chuva ou no período da noite. É isso que está em discussão, mas estamos em um momento de adaptação, falta chegar a um ponto de equilíbrio”, argumenta Haratz sobre a proposta de mudança pela Aneel.

Pequenas empresas

Já no segmento de média tensão, que compreende comércio e pequenas indústrias, Fortaleza ocupa a 13ª posição, com um retorno do investimento em 5,57 anos, o segundo melhor do Nordeste, atrás apenas de Teresina (4,96 anos). Nesta categoria, Vitória apresenta o melhor retorno (4,75 anos) e Macapá (AP) o pior (7,56 anos).

Na categoria em questão, o retorno dos investimentos em Fortaleza passaria para 6,72 anos, caso a proposta da Aneel seja aprovada.

A ideia da Agência gera insatisfação de diversos representantes do setor pelo País. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) já classificou a medida como um grande desincentivo à instalação de sistemas solares de geração e, caso seja efetivada, tende diminuir o retorno financeiro ao consumidor.

Hoje, quase 100% do que sistema entrega à rede volta como crédito para sua conta de luz. Com a mudança, a tendência é ficar em 68% do que é enviado para a distribuidora.

No Ceará, o Sindicato das Indústrias de Energia e Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia) estima uma eliminação de 60% dos empregos gerados pelo setor caso as mudanças propostas pela agência entrem em vigor.

Fonte: Diário do Nordeste

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