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- 11/09/2019 - 07:00
Suspensão de aeronave complica situação da Gol em Fortaleza

A suspensão das operações da aeronave Boeing 737 Max, motivada por dois acidentes e sem previsão para retorno, está causando problemas a muitos passageiros da Gol Linhas Aéreas que adquiriram bilhetes entre Fortaleza e Miami e Orlando, nos Estados Unidos, rotas que eram operadas pelo modelo. Enquanto a companhia enfrenta a situação, com a redução da malha aérea na Capital, a sua maior concorrente, a Latam Brasil, organizou horários de conexão de voos no Aeroporto.

Além disso, a reportagem constatou em pesquisa no site da Gol que a empresa suspendeu a comercialização dos trechos entre a Capital e as cidades norte-americanas até dezembro deste ano.

Em nota, a companhia não confirmou a interrupção das vendas dos trechos e informou que precisou realizar adequações na sua malha entre Fortaleza e os Estados Unidos, de forma temporária, devido aos ajustes de aeronave realizados neste trecho.

“As operações partindo de Fortaleza foram reduzidas, mas estão acontecendo de forma esporádica em algumas semanas. A companhia manteve mais voos partindo de Brasília devido ao alto número de destinos que conectam com os voos para a Flórida, inclusive os que embarcam na Capital e demais cidades atendidas pelo Hub Nordeste”, diz.

A Gol acrescenta que não cancelou os voos. “A companhia precisou realizar, de forma temporária, adequações nesta rota. O ajuste consistiu em diminuir as frequências partindo de Fortaleza, além de reacomodar os clientes nos voos da empresa para Miami e Orlando, com rápida conexão em Brasília”, acrescenta.

Tendências

Para Cláudio Jorge, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das saídas encontradas pela Gol é o reforço das parcerias que ela possui com companhias estrangeiras, a exemplo da norte-americana Delta Airlines e do grupo Air France-KLM.

“A ideia é que a Delta pegue uma parte desse mercado enquanto a Gol não puder pegar. Então, isso é um choque de interesse entre várias companhias e seus parceiros”, avalia o professor.

Ele diz ainda que, oficialmente, a Latam não montou um hub em Fortaleza, mas que o estabelecimento de bancos de conexão já sinaliza uma preparação da companhia para um possível centro de conexões aéreas. “A Latam talvez já esteja, não oficialmente, mas, ao mexer as peças e horários, está pensando em capturar e fazer frente à Gol. Se ela está concentrando voos em um certo ponto, isso é hub”, explica.

Cláudio Jorge também acrescenta que, em função das obras de ampliação do terminal ainda não terem sido concluídas, a Latam não está usando horários similares aos da Gol. Em nota, a Latam informa que não há previsão para um hub em Fortaleza.

“A Latam Airlines Brasil informa que já anunciou em maio de 2019 as suas novidades mais recentes para Fortaleza e que não há previsão de implementação de um hub da companhia na Capital cearense. A Latam segue atenta às necessidades dos clientes para iniciar, ampliar ou adequar as suas operações e qualquer novidade é comunicada oportunamente pela companhia”.

Oportunidade

O engenheiro aeronáutico Igor Pires avalia que a Latam está aproveitando a oportunidade para reforçar as operações em Fortaleza frente à situação da Gol. “Eu só lamento que Brasília continua com as duas operações para os Estados Unidos. A Gol vem a baixa estação toda mantendo um voo diário para a Flórida, mas quando vai começar a alta estação, ela tira as vendas para os Estados Unidos. O que explica isso?”, questiona.

Segundo ele, para a Gol a situação é cômoda, uma vez que o Governo permitiu, por meio de legislação, que a companhia precisaria cumprir 44 voos diários (pousos e decolagens) no lugar das 50 operações necessárias previamente estabelecidas para garantir a isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre atividades da empresa.

“Ela não está sendo penalizada em termos de ICMS. Está mantendo a operação mínima. Já a Latam está operando aviões com dois corredores para Guarulhos, em São Paulo. Isso mostra que ela aglutinou muitos voos, que devem estar tendo boas movimentações e muitas cargas”, explica.

Transtornos

Para o grupo de seis pessoas com viagem marcada para outubro deste ano para Orlando, o que seria lazer se transformou em problema. A fisioterapeuta Karla Meireles conta que comprou as passagens em maio passado e agora, com a redução de voos para os Estados Unidos, a Gol alocou o grupo em outro voo.

“Na época da compra, o Max ainda estava ativo. A opção de comprar foi exatamente porque era um voo direto. A Gol jogou a gente em um voo de Fortaleza para o Rio de Janeiro. De lá, para Brasília, e só depois para Orlando, fazendo uma parada em Punta Cana. Nós temos 35 minutos para trocar de aeronave no Rio. É um negócio super apertado. Um voo que era para durar cerca de sete horas foi a 18”.

O grupo fez duas propostas de mudanças de voo para a Gol, mas a primeira não foi aceita. “A nossa proposta é um voo direto para Brasília e de lá para Orlando, mas isso não foi aceito”. Por enquanto, Karla não quer entrar na Justiça. “Não queremos reembolso e só vamos recorrer se a gente tiver prejuízo de fato”.

Fonte: Diário do Nordeste

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