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- 06/09/2018 - 08:55
Printi: a gráfica online que aposta na customização em massa

Em 2012, dois europeus decidiram criar um negócio sem igual no Brasil: uma gráfica online. A Printi foi criada por Mate Pencz, húngaro radicado na Alemanha, e Florian Hagenbuch, alemão criado no Brasil. Seis anos depois, a startup se tornou uma opção consolidada no mercado gráfico brasileiro, que passou (e continua a passar) por uma grande digitalização de serviços.

Há alguns anos, imprimir uma arte significava necessariamente ter que ir a uma gráfica para deixar o pedido e buscar o produto final. Em alguns casos, os clientes visitavam as gráficas até mais de uma vez, para realizar alterações do produto. A ideia da Printi é permitir a impressão desde folders e cartões de visitas a azulejos personalizados sem que o cliente saia de casa, recebendo o produto final pelo correio – digitalizando o segmento de gráfica.

Hoje, se a arte enviada pela internet estiver em perfeitas condições para impressão, a primeira vez que o papel será tocado por um humano será depois de pronto, já com a arte impressa – afirma a Printi. A startup atingiu esse feito através da experiência, somando camadas tecnológicas para criar um site user friendly e utilizando máquinas gráficas de alta tecnologia conectadas em rede.

A transformação digital do setor gráfico está permitindo não apenas que o processo de impressão seja mais ágil e cômodo para os clientes, mas que também tenha preços mais acessíveis. Ao cortar intermediários, as gráficas online geralmente possuem um menor custo do que as tradicionais – fato que acelera ainda mais a adoção dos novos players pelos brasileiros.

Mas a digitalização desse setor passa, especificamente, por muitas barreiras. Imprimir uma arte requer saber a diferença entre os papéis, conhecer os layouts específicos para impressão, acabamentos, entre outros. A Printi trouxe a solução para esse problema ao oferecer artes padrões para que os clientes customizem da maneira que preferirem ou disponibiliza seus próprios profissionais para a produzir a arte, caso os clientes desejem.

“Se o cliente fosse cotar com um freelancer ou uma agência para fazer a arte e a impressão, não saberia por onde começar. Hoje, ele entra no site e fala que quer um mousepad personalizado. O nosso time de atendimento faz a arte, checa com ele e já imprime – entregamos do início ao fim”, explica Diego Luz, o novo CEO da Printi no Brasil, que veio para fortalecer ainda mais a companhia.

No momento, o maior time da Printi é o comercial – que compreende o atendimento, pré e pós-vendas e inside sales – justamente para dar vazão à demanda. A equipe especializada em atendimento possui principalmente designers para criar as artes dos clientes que optam por isso, já os especializados em inside sales atendem clientes maiores que precisam de uma cotação diferenciada ou que realizam compras mais recorrentes.

Atualmente, a startup possui quase 500 funcionários no total, compreendendo os colaboradores da loja da Avenida Faria Lima, em São Paulo, da unidade em Barueri, da filial nos Estados Unidos e a equipe de tecnologia na Índia e Romênia.

“Os dois primeiros programadores da Printi estão na Romênia – são os mesmos até hoje. Também temos seis programadores na Índia, dentro de um centro de tecnologia da Cimpress. A gestão funciona muito bem, principalmente no timing – as vezes você está rodando algo durante o dia, tem um overlap de horário e continuamos rodando a noite também, desenvolvendo 24h por dia”, explica Luz. A Cimpress é um grupo de gráficas online investidora na Printi.

Um dos principais ativos da startup é a tecnologia devido sua natureza digital – é assim que a Printi une trabalhos de baixa tiragem em uma produção em massa. “Temos um software que seleciona todos os pedidos e entende qual é a melhor forma de otimizar os badges de produção para imprimir esse material, cortar e depois mandá-lo adiante”, explicou o CEO da startup.

Foco em personalização

Mas apesar de contar com a tecnologia para realizar muitos dos processos, a Printi possui um foco muito latente em personalização. A gráfica online se esforça para lançar produtos novos todos os meses – hoje, ela possui mais de 30 mil combinações de produtos – para oferecer mais opções aos clientes e que sejam customizáveis. “Estamos deixando cada vez mais de ser uma gráfica para ser uma empresa de personalização, porque fazemos de tudo”, afirmou Luz.

Atualmente, a startup reúne em seu portfólio desde folders, cartões de visitas e flyers – seus primeiros produtos – à azulejos e produtos em porcelanato, capachos e guarda-chuva. Por oferecer uma grande cartela de produtos e possibilidades, hoje a gráfica online atende desde os pequenos empresários e startups às maiores empresas do Brasil.

Além disso, por oferecer também impressões em baixa tiragem, a startup também atende pessoas físicas, que imprimem desde convites de casamento à rótulos de cerveja artesanal, tatuagens temporárias e quebra-cabeça. “Na mesma máquina, podemos imprimir diferentes tipos de papéis e materiais, então sempre identificamos as oportunidades que façam sentido. No ano passado, vendemos muita árvore de natal e boneco de neves para startups, que faziam a decoração de natal conosco porque é barato”, comentou o CEO da Printi.

Hoje, a Printi é capaz de produzir desde urnas a troféus e materiais de visualização para lojas de qualquer segmento. O desejo da startup é de se tornar uma “one stop shop”, onde os clientes podem encontrar todos os produtos desejados (e personalizados) em apenas uma loja.

Mas a startup não está apostando na personalização apenas nos produtos, mas também no atendimento, contrastando diretamente com sua veia digital. Para isso, a startup abriu uma loja física na Avenida Faria Lima, em São Paulo, uma porta de contato com clientes que traz a marca para o mundo offline.

Na loja física, os clientes podem conhecer a Printi e solucionar qualquer dúvida que tenham – como o tipo de papel, acabamento desejado, entre outros. Ter um espaço físico traz a segurança que alguns clientes podem ainda não sentir ao contratar um serviço online, principalmente pela primeira vez. Já para a startup, essa é a chance de se conectar com os clientes também offline, construindo uma estratégia e laboratório omnichannel.

“O cliente é um só – se ele quiser ser atendido na loja, ele será. Se quiser ser atendido online ou por telefone, ele também será. Nosso papel é de descobrir a melhor forma de atendê-lo e fazer com o que nosso método de atendimento também seja personalizado. Esse é o mundo do futuro”, explicou o CEO da startup, que utilizou o exemplo da Amazon como loja online que também está entrando no setor offline.

Operação nos Estados Unidos

Ao mesmo tempo em que a startup planejava sua loja física, ela também desenvolvia sua operação nos Estados Unidos. A Printi foi para os Estados Unidos no final de 2017, após enxergar que aquele era um mercado propício para as gráficas online.

“Lá é um mercado gigantesco onde podemos aplicar uma série de aprendizados que tivemos aqui. Foi uma porta aberta super interessante para o mercado, que só na Califórnia já é maior em PIB do que no Brasil”, comentou Diego Luz.

Mas abrir uma operação nos Estados Unidos não impede que a Printi continue a expandir seus negócios no Brasil e na América Latina. Na verdade, Diego Luz se tornou CEO na Printi com esta missão – fazer com que a empresa continue dobrando de crescimento todos os anos.

“Esse é um desafio. Às vezes, para uma máquina sair da ociosidade dela, sair de R$ 10 milhões para R$ 20 milhões é moleza, mas para sair de R$ 100 milhões para R$ 200 milhões você precisa de mais máquina e estrutura, e temos trabalhado muito nisso, inclusive com soluções de logística”, comentou o CEO. Em 2017, a Printi atingiu a marca de faturamento de R$ 100 milhões e conta com mais de 30 parceiros de logística.

“O primeiro momento é de nos prepararmos internamente para que consigamos manter a velocidade de crescimento todos os anos. Quando você cresce, – nós últimos dois anos a gente cresceu 6 vezes -, precisamos institucionalizar mais um pouco a companhia”, comentou o CEO.

Ao mesmo tempo em que pretende institucionalizar alguns processos, a Printi não quer deixar de ser uma startup, mas virar uma “scale up”, termo aplicado para startups que já passaram pelas fases iniciais, validaram o produto e estão em crescimento exponencial. “Precisamos ter uma governança e processos do tamanho da empresa que a gente se tornou, não podemos continuar com a mentalidade pura e simples de uma startup pequena. O primeiro passo é manter a cultura de startup, do MVP, da velocidade, mas com mais estrutura e organização”, explicou Diego.

Customização em massa

Hoje, a Printi se concentra em oferecer aos clientes tudo o que precisam – além de produtos, isso significa também soluções de logística. Na Black Friday, a gráfica online reduziu R$ 7 mil de uma empresa de telecomunicações porque entregou os produtos diretamente para cada uma de suas lojas. “Distribuir para cada uma das lojas, além de não ser o core deles, daria um trabalho enorme. Nós conseguimos entregar direto nos pontos e ganhamos mais valor ao oferecer esse tipo de solução”, explicou Diego Luz.

A startup possui um modelo de negócios de “customização em massa” – e isso vai desde os produtos à logística utilizada. A Printi é apta a realizar esse trabalho principalmente com a automação de processos. “A medida que o cliente começa a se acostumar com a automação, muito do nosso crescimento é no boca a boca. Hoje, existem pessoas pagando 5, 6 vezes mais do que pagariam na Printi, e eles continuam fazendo isso porque não conhecem”, comentou o CEO.

A conversão pode ser um dos processos mais difíceis em um serviço digital e é por isso que a startup aposta em ter um bom atendimento e logística. “Se o cliente vai lá, compra uma quantidade pequena e chega bonitinho, com boa qualidade, isso abre uma porta – e ele começa a converter o resto”, disse Luz.

Agora, além de continuar crescendo com consistência, a startup está se concentrando em encontrar todas suas ineficiências – seja na tecnologia, logística ou atendimento. Esse é o caminho que a Printi pretende trilhar para se expandir nacionalmente, na América Latina e nos Estados Unidos.

 

Fonte: StartSe

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