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- 22/05/2017 - 19:00
Pressionado por JBS, Ibovespa cai 1,5% e dólar sobe com turbulência política

Índice tem nova queda forte após leve recuperação no fim da semana passada; dólar sobe, mas fica abaixo de R$ 3,30

SÃO PAULO – Após o leve respiro da última sessão, o Ibovespa voltou a cair forte nesta segunda-feira (22) diante das incertezas políticas e o futuro do presidente Michel Temer. Durante a tarde, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu adiar o julgamento do recurso do presidente, que estava previsto para a próxima quarta-feira. Logo na sequência a defesa de Temer decidiu retirar o pedido de suspensão de inquérito.O Ibovespa fechou com queda de 1,54%, aos 61.673 pontos, com o volume financeiro ficando em R$ 12,245 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, fechou com ganhos de 0,59%, cotado a R$ 3,2763, enquanto o dólar futuro com vencimento em junho de 2017 registrou alta de 0,66%, sinalizando cotação de R$ 3,285.

Enquanto isso, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 tiveram alta de 6 pontos-base, para 9,76%, ao passo que os juros futuros para janeiro de 2021 fecharam com ganhos de 35 pontos, para 11,56%.

Em decisão, a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, disse que o julgamento do recurso de Temer que pede a suspensão do inquérito aberto contra ele – que estava previsto para a próxima quarta-feira – só será levado a plenário após a conclusão da perícia do gravador com a conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, dono da JBS. A gravação foi enviada ao INC (Instituto Nacional de Criminalística).

Porém, logo após esta notícia o advogado que integra a defesa de Temer, Gustavo Guedes disse não ver mais necessidade de o plenário do STF julgar o pedido de suspensão do inquérito que investiga o peemedebista. Segundo ele, perícia contratada pela defesa constatou 70 “pontos de obscuridade” na conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, e o inquérito deve seguir para “provar a inocência” do presidente.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, disse que a crise política pode atrasar a agenda econômica de reformas “em algumas semanas”. Durante teleconferência com analistas, o ministro foi questionado se eventual atraso na tramitação das reformas no Congresso seria em “semanas ou meses”. “Minha opinião é em termos de semanas”, disse ao investidor.

“A semana está em aberto. Enquanto não houver uma grande conclusão, mercado terá muita volatilidade”, observa Olavo Souza, gerente de renda fixa da Mirae Asset Wealth Management. Segundo ele, tendo em vista o momento conturbado, os investidores aproveitam qualquer oportunidade gerada pela volatilidade para desfazer posições.

Em entrevista à Bloomberg, Souza disse que o mercado, por enquanto, está voltando para setembro de 2015, antes do impeachment de Dilma Rousseff. “O país só começou a melhorar depois que superou a incerteza do impeachment, mas, por enquanto, não temos nem a definição de que isso vá acontecer”, disse.

O gerente da mesa de derivativos da Mirae diz que os investidores não acreditam na fala do presidente de que vai continuar a tocar as reformas e ressalta que o melhor cenário para o mercado seria o Congresso entrar em acordo agora para votar a reforma da Previdência, independentemente da situação de Temer no cargo.

Destaques da Bolsa
Do lado acionário, as ações da JBS (JBSS3) desabaram mais de 31% e fecharam como a maior queda do Ibovespa, entre corte de recomendação da Moody’s, leniência recusada e investigação de “insider trading”. Nesta tarde, a agência de classificação de risco Moody’s cortou em uma nota o rating da JBS e de sua subsidiária JBS USA, bem como colocou as classificações de risco de ambas as empresas em revisão para novos rebaixamentos (veja aqui). 

Além disso, em meio às incertezas políticas que abalaram o mercado na semana passada e com expectativas de que a alta volatilidade persista, o Itaú BBA optou por revisar sua carteira “Brazil Buy List” nesta segunda-feira. 

Foram removidas as ações da Smiles (SMLE3), Rumo (RAIL3), Iguatemi (IGTA3), Lojas Americanas (LAME4), Petrobras e Gerdau (GGBR4) – hoje, algumas dessas ações ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa. Por outro lado, foram incluídas as ações da Embraer (EMBR3), Minerva (BEEF3), Suzano (SUZB5), Telefônica Brasil (VIVT4), Hypermarcas (HYPE3) e Ultrapar (UGPA3). Vale menção que, além da “Buy List” do Itaú, que trouxe a inclusão de algumas exportadoras, essas ações ganham também hoje a valorização do dólar frente ao real.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 5,98 -31,34 -47,38 470,31M
 RAIL3 RUMO S.A. ON 7,90 -10,94 +28,66 229,18M
 SMLE3 SMILES ON 58,98 -6,38 +41,49 62,83M
 CYRE3 CYRELA REALTON 10,69 -6,23 +4,84 45,80M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 9,30 -6,06 +15,34 45,67M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON 16,21 +7,00 +2,19 116,28M
 FIBR3 FIBRIA ON 35,06 +6,57 +12,64 157,85M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 14,98 +6,24 +8,32 130,34M
 BRFS3 BRF SA ON 42,94 +6,16 -11,01 332,46M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,46 +3,13 -5,54 71,33M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 34,88 -1,97 778,39M 595,74M 53.745 
 PETR4 PETROBRAS PN 13,40 -1,62 695,95M 622,00M 65.634 
 VALE5 VALE PNA 26,41 +2,76 667,59M 702,56M 56.737 
 BBDC4 BRADESCO PN 26,96 -2,85 556,13M 385,68M 59.765 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,57 -0,27 481,60M 295,05M 60.021 
 JBSS3 JBS ON 5,98 -31,34 470,31M 129,38M 75.406 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 18,51 -3,34 377,98M 245,18M 40.336 
 BBAS3 BRASIL ON 26,68 -4,65 363,28M 266,83M 37.584 
 BRFS3 BRF SA ON 42,94 +6,16 332,46M 151,29M 36.408 
 RAIL3 RUMO S.A. ON 7,90 -10,94 229,18M 77,95M 50.194 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Crise política
Em entrevista ao Estadão no sábado, Temer se disse vítima de armação de bandidos que saquearam o País e querem sair impunes e, nessa segunda, reafirmou que não renunciará. 

O presidente ganhou tempo com PSDB e DEM, que adiaram decisão sobre saída do governo, mas segue nas cordas. PSB deixou a base e a OAB pedirá impeachment. Neste cenário, a Eurasia elevou as chances de Temer sair antes de terminar o mandato de 20% para 70%, enquanto o diretor de pesquisa macro da América Latina da Oxford Economics, Marcos Casarin, disse à CNBC que há uma chance de 100% de Temer sair do cargo. Neste cenário, o ETF brasileiro registra queda de cerca de 1%. 

Vale destacar que a reforma trabalhista tem chance de ir adiante nesta semana, destaca a LCA. “Embora nada muito importante esteja previsto: haverá apenas audiências p discussão da proposta na CAE e CAS”, afirma a consultoria.

Relatório Focus
Os economistas consultados semanalmente pelo Banco Central mantiveram o tom das projeções das últimas pesquisas para os principais indicadores da economia brasileira no último levantamento Focus, apesar dos efeitos imprevisíveis da crise política instaurada com a delação premiada de executivos da JBS pela operação Lava Jato, que colocou o presidente Michel Temer no holofote.

Segundo a pesquisa divulgada pela autoridade monetária na manhã desta segunda-feira (22), a mediana das projeções dos economistas de mercado para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu de 3,93% para 3,92% neste ano, ao passo que para o ano seguinte foi de 4,36% para 4,34%.

Do lado da atividade econômica, as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) continuaram em crescimento de 0,50% em 2017 e em 2,50% no ano seguinte. Não houve alterações nas projeções para a taxa básica de juros — a Selic: 8,50% ao final dos dois anos. Já para o câmbio, as expectativas passaram de R$ 3,25 para R$ 3,23 para o dólar neste ano, ao passo que para o ano seguinte continuaram em R$ 3,36.

Fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6538190/pressionado-por-jbs-ibovespa-cai-dolar-sobe-com-turbulencia-politica

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