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- 18/03/2017 - 14:07
O TRC e a “incompetência” emocional para enfrentar as crises de mercado e como consequência de gestão.

Vou tocar em um assunto que a muito tem provocado o insucesso e/ou fechamento de transportadoras de todos os portes, seja pequeno ou grande operador do setor, o “psicológico” de nossos Empresários e/ou Executivos, sendo mais especifico, a vaidade, a personalização da gestão (tem que ser do meu jeito), a disputa de poder e ausência de reconhecimento de méritos fora do conceito eu mando e tu obedece. Para isso vou contextualizar com fatos reais dos meus mais de 35 anos de trabalho com mais de 80 Empresários/Executivos, atuando como consultor e/ou gestor em diversos setores, mas na maioria de transportadoras de cargas.

Começo com a falta de reconhecimento de méritos, exemplificando com a fábula do escorpião e a tartaruga, http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/274248 , aonde o escorpião mesmo sendo ajudado para atravessar o rio, ferroa o pescoço da tartaruga e explica que mesmo provocando a própria morte, ser a natureza dele.

Uns dos meus primeiros trabalhos em uma transportadora foi para “salvar” o filho de um Cliente de apanhar de um Empresário, que o ameaçou com uma “surra”, por ter parado a empresa dele ao implantar um TMS e as rotinas não estavam adequadas para a informatização, com uma inflação de 20% ao mês, e o faturamento parado a 30 dias, chegou ao limite do Empresário. Pois bem, esse meu amigo, perguntou se eu saberia como funciona uma transportadora e se já tinha realizado algum trabalho na área, e expliquei, não era necessário conhecer como funciona, e sim saber levantar e analisar processos, e assim em 06 meses implantamos todo o sistema e as rotinas foram atualizadas para a informatização, lembrando que era o tempo do TELEX e estávamos comemorando a entrada do fax na transmissão das tabelas para as filiais. E como consequência deste trabalho, acabei criando gosto (a cachaça, como alguns chamam) por este setor e assim fiquei dando assistência a uma meia dúzia de transportadoras ao mesmo tempo e entre idas e vindas, uma delas me procurou pela terceira vez para ajustar de novo seus processos e que não poderia pagar por minha consultoria, estava quebrado e queria ajuda, o que prontamente, disse que o faria e expliquei que ao longo dos anos tinha adquirido uma expertise e gostaria de dividir com ele, implantando novas rotas e serviços de cargas expressas, ele me pagaria com parte do resultado gerado, como num chute sem pulo, a resposta do Empresário, “Não divido o lucro da minha empresa com ninguém” e ai pergunto, que lucro? Ele preferiu quebrar, a dividir o que não tinha. Atualizando a história para os dias atuais, nos últimos 05 anos tenho recebido alguns convites para deixar a empresa aonde estou e fiz uma proposta similar para três oportunidades, garantia de 01 ano de um valor mínimo fixo e um variável de 1/20 avos do lucro gerado além do que eles já tinham garantido, um disse de pronto, “não divido o que é meu” e preferiu quebrar, o outro fez uma conta na hora, quer dizer, que se você conseguir R$1.000.000,00 (hum milhão de lucro) vou ter que lhe pagar R$50.000,00 (cinquenta mil reais) e se for R$5.000.000,00 (cinco milhões) vão ser R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais), é muito, e hoje está no vermelho e com débito na dívida ativa na receita federal, o terceiro disse “Quero Desconto” Vejam que nos três casos, todos não quiseram dividir o que não tinha, como se fosse proprietário do que pudesse ganhar.

Outro dia, almoçando com empresário do setor, recebi uma proposta inusitada, ancorada em um “indicador chave” daqueles que ou você alcança 100% ou não ganha nada, apesar do esforço, caso eu conseguisse gerar 10% de LAIR, ele me daria um prêmio de R$200.000,00 (duzentos mil reais), aí argumentei, se eu conseguisse esse resultado neste mercado que está aí hoje, eu seria era sócio da empresa dele como prêmio por ter salvo de quebrar, pois após a implantação do conhecimento eletrônico e com o agravamento da crise, nunca mais deu lucro.

O setor de transporte de cargas hoje tem características de alto risco, não só de segurança, como também de geração de resultados, pois exige um nível de atenção nas operações de 24 horas e um acompanhamento de seus números de custeio/parâmetros que pode quebrar uma empresa em poucos meses, criando assim uma necessidade de um sistema de bonificação adequado a este novo cenário do TRC.

Disputa de Poder, quando cursava pós-graduação de gestão de negócios, cometi o pecado de afirmar, na empresa em que trabalho não existe disputas de poder, o que o professor respondeu, engano seu, a disputa nem sempre é de forma explicita, ela muitas vezes vem na forma de decisões estruturadas para desequilibrar a disputa, nas transportadoras essa disputa é mais explicita, com sócios demarcando área de atuação, responsabilidades e esquecendo o essencial, que é preservar a empresa acima de qualquer vaidade e poder, e isso tem desequilibrado grandes transportadoras com anos de mercado e neste momento de crise a disseminação na organização de um clima de desmotivação e desmantelando a cultura organizacional que levou anos para ser desenvolvida, por isso muitos profissionais estão em busca de abandonar o barco, pois seus próprios comandantes estão a deriva.

Personalização, a alguns anos realizei um trabalho de reestruturação organizacional, expansão em uma transportadora, e na abertura de uma das filiais, contratei toda equipe e por comparação estabeleci o salário de cada funcionário com base nas outras filiais da empresa e para minha surpresa, o sócio me chamou e disse “aqui na minha empresa, só eu digo quanto ganha cada pessoa” no que argumentei, veja que os salários estão abaixo das duas filiais de mesmo porte, de bate pronto, mesmo assim aqui, “nem que seja o último a baixar as portas desta empresa” só eu faço o que quero e decido na minha empresa.

Obs. Na minha vida profissional, ouvi esta expressão em outras duas ocasiões, sem comentários das consequências.

 Outro dia em um evento da NTC & Logística, foi questionado o conceito de Governança Corporativa que tanto defendo e acho necessário no setor, um dos empresários participante, comentou sobre o cuidado em implantar, pois sua empresa ficaria sujeita a pessoas estranhas, falando ele de possíveis conselheiros, claramente desconhecendo o que são conceitos e estrutura de gestão. Outro dia em conversa com um consultor que realiza trabalhos em empresas familiares, participante de conselhos de administração e associado do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa   http://www.ibgc.org.br/ , disse se você tentar bater de frente com algumas pessoas, falando de Empresários, principalmente de empresas familiares, ele quebra a empresa, mas não cede, comportando-se como verdadeiros “suicidas corporativos”, então a inteligência deve ser sua e contornar a situação, pois nem um  psicólogo consegue naquele momento mudar sua posição. E realmente nestes anos trabalhei próximo de pessoas com estas características, acredito que já está mais de que na hora da participação nos conselhos de empresas, a presença de um psicólogo nas mesas de reuniões e atuando como coaching no dia a dia de alguns empresários do setor.

Muitos Empresários do setor tem o discurso personalista, “Eu sei tudo de minha empresa”, o problema é que meu pessoal não me acompanha nas necessidades/atenção necessária na operação. O que não deixa de ser uma verdade, mas uma boa parte não atribui mérito e valor na mesma medida aos profissionais deste negócio que é semelhante a um hospital, nunca fecha, pois mesmo em domingos/feriados, tem veículos na estrada.

Vale a reflexão, pois não existe profissional com mais resiliência que o do transporte/logística em seu trabalho.

Links relacionados:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_(psicologia)

http://www.racecomunicacao.com.br/blog/o-que-e-gerenciamento-de-crise/

http://www.comtexto.com.br/2convicomcomcomunicaCarolRodriguez.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gerenciamento_de_crises

Francisco Pontes

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