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- 01/10/2018 - 09:07
Grabr: a startup que entendeu que precisava começar global desde o MVP

Em 2012, o casal russo Daria Rebenok e Artem Fedyaev foi para os Estados Unidos em busca de novas oportunidades de trabalho. No início, Artem desejava trabalhar em Wall Street, em Nova York, mas percebeu no meio do caminho que desejava criar coisas – então Daria e Artem foram morar em São Francisco, uma das cidades que compõem o Vale do Silício.

Juntos, eles começaram a desenvolver uma startup de realidade virtual. Enquanto aprendiam como empreender no Vale do Silício com a cara e a coragem, pois não conheciam ninguém na cidade, eles foram superando desafios diários de como montar uma equipe e empreender em um local competitivo.

Apesar de serem russos, Daria e Artem imigraram, na verdade, da Espanha. Ao morar nos Estados Unidos, eles começaram a sentir falta de produtos simples de supermercado que não encontravam no novo país – seja em lojas físicas ou em grandes varejistas online, como a Amazon. Então eles tiveram a ideia que determinou o futuro: criar uma startup que conecta viajantes com pessoas que desejam comprar produtos de outros países.

Suas famílias incentivaram que criassem o MVP – mínimo produto viável – e eles seguiram a ideia. Com o tempo, a startup de realidade virtual ficou para trás, porque não era possível conciliar os dois empreendimentos ao mesmo tempo com a mesma qualidade. “A experiência foi importante para aprendermos com os nossos erros, como construir uma boa equipe. Ninguém consegue fazer tudo sozinho, mesmo que queiramos aprender tudo, quando a empresa dá certo, temos que chamar outras pessoas”, comentou Artem Fedyaev no Silicon Valley Conference da StartSe que aconteceu neste sábado (29).

Seja global

Um dos maiores diferenciais experimentados pelos empreendedores foi que a empresa nasceu global desde o início, pois seu modelo de negócios requeria isso – esse não é um movimento comum de startups. “Nós fizemos o lançamento em todos os lugares para ver quem iria adotar mais. Criamos uma página simples, com call to action. Gastamos US$ 3 mil dólares para fazer a página e 10 mil pessoas cadastraram o e-mail dizendo que queriam ser compradoras ou vendedoras”, explicou Daria.

Hoje, os principais mercados da startup são a Argentina, Brasil e Rússia por um motivo simples – taxas mais caras são colocadas em produtos importados, o que torna mais interessante pedir que algum viajante traga o produto do exterior. “A medida que a empresa cresceu, percebemos rapidamente que era impossível trabalhar de forma global desde o início. Os problemas são multiplicados por 10”, comentou a CEO e fundadora do Grab. Hoje, a startup confia que seu crescimento será global no futuro e que irá atingir também os mercados asiáticos.

Os produtos mais populares pedidos para viajantes de startup são snacks – desde chocolate suíço à salgadinhos que só existem no Japão -, até suplementos, vitaminas, produtos para beleza e eletrônicos em geral. “Uma vez, uma pessoa estava comprando skis para levar para a Argentina, conheceu o comprador e eles acabaram viajando juntos”, disse Daria.

Ao conectar viajantes e pessoas que desejam comprar produtos, os fundadores da Grab estabeleceram uma entrega de maneira pessoal para garantir mais segurança de que o produto será entregue. Uma consequência agradável foi criada: a startup se tornou uma comunidade de viajantes e compradores, com pessoas se conectando com outras culturas e conhecendo novas pessoas devido os produtos encomendados.

Modelo de negócios

Ao lidar com uma empresa global, é necessário também lidar com diferentes regulamentações. Para evitar problemas com a alfândega, os viajantes aceitam as propostas de produtos a serem trazidos que os compradores colocam na plataforma e a comunicação acontece via aplicativo.

A partir daí, os viajantes – e apenas eles – compram o produto para que a nota fiscal saia em seu nome e ele seja efetivamente o dono dele ao trazê-lo para o novo país. “O Grabr não é uma empresa de remessa, não tem nenhum pacote fechado que a pessoa é obrigada a levar, e terá o recibo e nota fiscal do produto – ele não irá mentir porque aquilo realmente pertence a ele”, disse Artem. Muitos dos viajantes gostam inclusive de comprar no cartão de crédito pela possibilidade de ganhar milhas.

No Grabr, o valor para entregar o produto é um acordo entre o viajante e o comprador. “Geralmente, na primeira viagem o viajante ganha cerca de US$ 100 dólares, enquanto nas próximas pode variar de US$ 200 a US$ 300 ou podem até pagar a viagem dessa maneira”, comentou Daria. A inteligência artificial do aplicativo mostra para os compradores qual é o melhor destino para escolher um viajante de acordo com o preço e tamanho do item a ser pedido.

Uma startup de família

No Silicon Valley Conference, ao serem questionados sobre a experiência de ter uma empresa com o seu cônjuge, Daria e Artem entraram em um acordo que a experiência é ótima. “É a melhor experiência que podemos ter porque podemos ser 100% honestos ao dar o feedback para o outro”, disse Daria. Artem finaliza: “É mais fácil algo com a minha esposa porque temos confiança e isso é necessário em um negócio. Já criei empreendimentos com amigos e foi mais difícil porque a confiança não é a mesma”.

 

Fonte: StartSe

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