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- 13/11/2019 - 07:00
Goldman recomenda venda para ações do Banco Inter em meio a desafios para monetização; papéis caem 2%

O Goldman Sachs se juntou ao Morgan Stanley no time dos mais pessimistas com o Banco Inter (BIDI4) e iniciou a cobertura para os ativos preferenciais da companhia com recomendação de venda.

O preço-alvo para os ativos preferenciais é de R$ 11, o que representa uma queda de 27% frente o fechamento de sexta-feira e fazendo com que os papéis BIDI4 fechassem em baixa de 2,21%. Na mínima do dia, as ações chegaram a cair 3,64%, a R$ 14,82.

De acordo com os analistas Tito Labarta, Jonathan Uriel Schajnovetz e Ashok Sivamohan, a visão mais cautelosa ocorre com os resultados mais fracos do terceiro trimestre de 2019 levantando dúvidas sobre a capacidade de monetização da sua base de clientes em um ambiente de rápido crescimento.

“Embora tenhamos boas perspectivas de crescimento para o banco, acreditamos que o desafio será monetizar efetivamente a base de clientes para justificar o valuation“, apontam em relatório.

Para o Goldman, dois aspectos devem ser observados com bastante atenção. Em primeiro lugar, está o Net Promoter Score (NPS) do banco, que mede a satisfação e lealdade dos clientes. Embora ainda esteja em 67, o valor tem caído desde o primeiro trimestre de 2019 (quando estava em 71).

Em segundo lugar, está o Custo de Aquisição de Clientes (CAC), que subiu por volta de 20% no último trimestre e fechou a R$ 22,37.

Já a relação entre o preço da ação sobre o lucro esperada para 2020 é de 66,2 vezes, bem acima da média de 11,1 vezes dos seus pares, mostrando que a ação está cara.

Os analistas avaliam, contudo, que o banco possui cerca de R$ 1 bilhão em excesso de capital e uma base de clientes que pode triplicar para 4,1 milhões no fim do ano e quase dobrar novamente em 2020, para 7,6 milhões.

“Dito isto, o banco tem muito trabalho a fazer para monetizar sua base com taxas médias por cliente de apenas cerca de R$ 50. Esperamos que os empréstimos cresçam 45% este ano e 41% em 2020, colocando o banco no caminho para que o seu [Retorno sobre o Patrimônio Líquido] ROE mais que dobre e chegue a 14,6% em 2022, ante 7,2% esperados em 2020”, afirmam. Contudo, os analistas apontam que isto está mais do que precificado na ação.

Resultados negativos

Vale ressaltar que, na quinta-feira, as ações BIDI4 chegaram a ter queda de até 5,69% após o banco divulgar os dados do terceiro trimestre, justamente pela visão de que o banco segue com ótima capacidade de atrair clientes, mas a monetização ainda segue lenta.

O banco Inter registrou lucro líquido de R$ 11,8 milhões no trimestre, queda de 38% na base anual, com um ROE de 3%, enquanto o Ebitda do terceiro trimestre somou R$ 3,6 milhões, um incremento de 1,4%. Já a margem Ebitda atingiu 0,7%, uma queda de 0,1 ponto porcentual.

A empresa atingiu a marca de 3,3 milhões de contas digitais, alta de 211% na comparação anual, com mais de 12 mil novas contas por dia útil em setembro de 2019. As receitas totais somaram R$ 297,3 milhões, crescimento de 37,8%.

Após os resultados, o Morgan Stanley cortou as estimativas para o lucro por ação de 2019 de R$ 0,14 para R$ 0,10, reiterando recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para os ativos.

Fonte: InfoMoney

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