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- 02/03/2017 - 18:21
Exportadores defendem ação que evite valorização do real

Entre as medidas propostas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) está queda da taxa de juros

00:00 · 02.03.2017
Preocupada com os efeitos negativos da desvalorização do dólar para o setor industrial brasileiro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) está defendendo que o governo adote medidas que evitem a volatilidade “excessiva” da moeda norte-americana. A entidade entende que, “no curto prazo, é indispensável adotar mecanismos que evitem a valorização permanente da moeda brasileira, que retira a competitividade dos produtos brasileiros, tanto no mercado brasileiro como no mercado global”.

Segundo Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN/CE), como os principais itens da pauta da exportação do Estado são produtos essenciais, o impacto da desvalorização do câmbio não é tão forte como é para outros estados do País. “Os três principais produtos exportados pelo Ceará são os produtos siderúrgicos, calçados e frutas, que são três produtos essenciais, então temos uma posição relativamente tranquila, se comparado com a indústria de outros estados, mas é claro que se o dólar se valorizar será muito bom para os nossos exportadores”, diz.

A CNI diz que, ao tornar os bens importados mais baratos, a sobrevalorização do câmbio reduz os investimentos em setores de bens comercializáveis. De acordo com o último Boletim Focus, do Banco Central, divulgado ontem (28), a expectativa é de que a taxa de câmbio média para este ano fique a R$ 3,18 por dólar, sendo a nona redução semanal consecutiva.

Para Bezerra, porém, a capacidade do governo de conter a volatilidade e a cotação do dólar é limitada. “A CNI está na defesa de um interesse legítimo da classe industrial, mas o câmbio varia 60% em razão de fatores externos ao País e 40% em razão de fatores internos”, ele diz.

Competitividade

O economista Ricardo Eleutério diz que se por um lado o dólar mais barato prejudica a competitividade dos produtos nacionais, por outro gera efeitos positivos para a população, como queda da inflação, já que os importados ficam mais baratos. “No geral, é muito difícil encontrar um nível que atenda aos interesses de importadores e exportadores, porque o câmbio mais alto ou mais baixo gera efeitos positivos e negativos”, ele diz.

Eleutério destaca que além do câmbio, a competitividade da indústria nacional também é afetada pelos custos com a elevada carga tributária e com logística. “Temos um histórico de setores nacionais demandarem proteção via câmbio, mas precisamos de melhoria nos portos, nos aeroportos e de redução de impostos. Isso tudo tira a competitividade das nossas exportações”, diz.

A CNI afirma que os problemas de competitividade não se resumem à taxa de câmbio e reforça que as reformas microeconômicas voltadas para o aumento da competitividade são igualmente fundamentais e diz que “espera que essa agenda receba máxima prioridade”.

Medidas

Entre as medidas propostas pela Confederação para conter a volatilidade do câmbio, está a redução da taxa de juros, pois taxas mais elevadas atraem recursos externos e fomentam a valorização do real. Na nota, a entidade diz ainda que a convergência da inflação para a meta permite, e justifica, uma redução “mais pronunciada dos juros domésticos”. “Mesmo no regime de câmbio flutuante, o Banco Central pode evitar a alta volatilidade comprando ou vendendo dólares”, diz Eleutério. “Mas não podemos esquecer que o dólar está num processo de desvalorização em todo o mundo, não só no Brasil”, completa.

No entanto, o economista diz que conforme a taxa de juros no Brasil vá caindo e a dos Estados Unidos subindo, a desvalorização do dólar será contida. Somente nos dois primeiros meses de 2017, houve uma queda do dólar de 7,2%, totalizando 23% em um espaço de 14 meses. Para a CNI, “essa forte mudança no preço da moeda estrangeira pode causar danos irreparáveis nas estratégias das empresas e no investimento”. Segundo sondagem realizada pela Confederação, a instabilidade da taxa de câmbio está entre os principais problemas enfrentados pela indústria em 2016, dificultando a formação de preços, as decisões de investimento e de produção das empresas industriais.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/exportadores-defendem-acao-que-evite-valorizacao-do-real-1.1713024

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