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- 03/01/2019 - 10:24
Espaços da Base Aérea de Fortaleza serão utilizados para exploração comercial pela Fraport

Todo o aumento do fluxo de passageiros observado no Aeroporto de Fortaleza no último ano ainda não foi suficiente para torná-lo tão rentável quanto à nova concessionária espera. Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, a presidente da Fraport Brasil, Andreea Pal, diz que a ampliação do espaço comercial e a abertura de novas lojas no Aeroporto são peças indispensáveis nesse processo, que inclui ainda um estudo de mercado para aproveitar comercialmente as áreas da Base Aérea cedidas para a concessionária.

A presidente espera que as receitas cresçam mais quando estiver pronta a ampliação do terminal de passageiros – prevista para maio de 2020 – e mais lojas estejam em operação. Ainda assim, como explicou o diretor financeiro da companhia, Jocel Gadens, em outubro passado, o terminal só deve se tornar superavitário a partir do décimo ano, por conta dos altos investimentos realizados, que chegam a R$ 1 bilhão.

Como você avalia o primeiro ano da Fraport em Fortaleza?

Foi um ano excepcional. Nós estamos muito felizes com tudo que conseguimos. Primeiramente, iniciamos as nossas operações em 2 de janeiro sem nenhum problema. Os empregados da Infraero se mudaram muito mais rápido do que o esperado, não tivemos interrupção do tráfego, conseguimos logo a assinatura dos contratos para a construção e também superamos os embargos muito mais rapidamente do que o esperado. Normalmente, essas coisas levam anos e conseguimos resolver os problemas em quatro ou cinco meses.

O tráfego aqui está se desenvolvendo muito bem, com um crescimento de 13% a 14% até o fim de 2018. O único ponto que ainda está “atrás” nos nossos planos são as receitas comerciais. Comparado com os nossos aeroportos internacionais, as receitas comerciais aqui são bastante baixas. As pessoas não têm tanto dinheiro para gastar no aeroporto.

Como a Fraport planeja aumentar a rentabilidade?

Estamos negociando novas lojas, restaurantes e esperamos uma melhor qualidade dos produtos e das lojas, que vão também aumentar as receitas. Não buscamos lojas de luxo, mas temos que aceitar os que têm interesse a vir para cá. Temos respostas bastante interessantes para Fortaleza.

Em quanto tempo se espera que as receitas comerciais melhorem?

Esperamos que neste ano ou mais tarde, quando abrirmos o novo terminal, porque aí vamos ter todas as lojas. A teoria econômica do Aeroporto é que as pessoas gastam mais no lado AR, depois de passar pelo controle de segurança, porque elas têm tempo para comprar, tomar um café. Hoje, essa parte do terminal está pequena. Vai ser muito diferente com o novo terminal.

Ao arrematar o Aeroporto, já era esperado esse nível de crescimento?

Sim, isso já estava previsto. Não tanto como 12% ou 13%, mas já estava previsto.

Como avalia a atual conectividade aérea de Fortaleza?

Temos bastante capacidade para mais voos, não necessariamente nas horas de pico, mas, por exemplo, no meio-dia, o Aeroporto está livre. Podemos ter mais voos e estamos falando continuamente com as companhias, apresentando em feiras internacionais mostrando para as aéreas a nossa capacidade.

As companhias estão procurando o Aeroporto?

Sim. Especialmente, algumas têm bastante interesse de manter a posição de mercado que tinham antes da instalação do hub e agora estão correndo para segurar sua parte do mercado.

Qual a avaliação da Fraport do Aeroporto de Fortaleza em comparação com o de Porto Alegre?

Aqui, nós temos muito mais crescimento de tráfego. Isso significa que a eficiência da operação tem que ser maior. A situação do terminal não é tão boa quanto em Porto Alegre, temos que investir bastante dinheiro para melhorar a situação aqui. Mas as pessoas aqui são muito abertas, comunicativas e é um pouco mais fácil de formar esse time de que precisamos.

Como a empresa lida com a necessidade de reformar o Aeroporto sem afetar a operação?

É importante que as pessoas entendam que não podemos mudar algo que existe há 20 anos em dois dias. E que há coisas que não podemos mudar, como a temperatura no terminal. Agora, temos um problema maior porque as paredes não estão aí por causa das obras. Permanentemente, os motoristas ficam em frente aos portões, que abrem e todo o ar frio que fazemos com bastante esforço vai embora. É muito difícil. Além disso, o terminal existente não está isolado como deveria ser.

Essa é uma situação especial, com muito ruído e poeira. Não podemos fazer as construções e as obras sem esse transtorno. Aqui também, vamos fechar a pista à noite, quando tivermos alguns trabalhos, mas tudo vai ser administrado com as companhias. Vai ficar (fechada) pelo menos por cinco horas (ao dia).

Para quando está prevista outra etapa da expansão?

Já estamos fazendo, não vai terminar um e começar outro. Está tudo intercalado. Há outra, mas não é uma expansão que está planejada agora. E está completamente ligada ao crescimento de tráfego. É só uma fase agora. Se tivermos bastante tráfego e consideramos que precisamos de mais capacidade, podemos continuar (ampliando).

O que deve ser feito no terreno da Base Aérea?

Nós vamos utilizar esse terreno para desenvolvimento comercial. Estamos fazendo agora um estudo de mercado para entender o que seria possível em Fortaleza, o que seria do interesse, e quando este estudo estiver finalizado, vamos pedir ao mercado ofertas.

O que seria?

Hotel, centro de conferências, não sei. Agora, não posso dizer o que vai ser. Mas seria algo comercial. O estudo deve ficar pronto em talvez dois anos, em um prazo médio.

Há algum projeto para ampliar a conexão ao Aeroporto com linhas de ônibus ou metrô?

Nossa obrigação não é conectar o Aeroporto com a cidade, mas se o Governo e a Prefeitura tiverem iniciativas, vamos apoiar o máximo possível. Eu agradeço muito todo o apoio que nos deram e continuam dando. Hoje, não tem nenhum projeto.

Qual o potencial de Fortaleza para se tornar uma porta de entrada do Brasil?

Fortaleza tem uma posição superestratégica, porque está no ponto mais próximo da Europa e dos Estados Unidos. Eu acho que, a médio prazo, essa concentração do tráfego que temos hoje em São Paulo vai se dividir, porque é impossível, não somente no Aeroporto, mas também no espaço aéreo, que vai estar muito lotado. Pode ser que, no médio prazo, tenhamos mais hubs internacionais no Brasil do que só em São Paulo. E vamos ter Fortaleza, por exemplo.

Em 2018, o Aeroporto deve bater o recorde de movimentação. A ideia é manter esse ritmo?

Não creio que esse crescimento vá ser mantido. Agora, demos um salto muito grande por causa do hub, mas no ano que vem, estamos planejando crescimento de 8,5% e depois um crescimento médio.

E em relação ao transporte de cargas?

A maioria das cargas vem com os aviões de passageiros. Como temos mais voos que vão para Europa e Estados Unidos, automaticamente, a carga está crescendo. O melhor é um hub, porque é atrativo, trazendo cargas de um lugar e de outro e concentra tudo aqui e depois enviar para o exterior.

Com o Aeroporto de Fortaleza, não temos que fazer nenhum esforço especial, porque essa logística já está manejada. Nós temos que manter a infraestrutura e, se precisarem de algo especial para serviço, nós ajudamos. O terminal existente é bastante grande e novo.

Estamos em um momento de transição econômica no Brasil. Qual a expectativa da Fraport sobre isso?

A Fraport foi otimista no ano passado quando ganhou o Aeroporto, porque é um fato que essa situação econômica é um ciclo, mais tarde baixa e depois há um pico. Não importa o que se passa na parte política – importa, mas não tanto -, não vamos ficar nessa situação de baixa todo o tempo. A expectativa da Fraport é que o Brasil cresça, pelo menos, no transporte aéreo. É um País muito interessante para nós.

E qual a expectativa da empresa para o próximo ano?

Continuar com as obras nesse tempo. Vai ter um ponto muito importante, em maio, porque vamos abrir um novo check-in não pela construção civil, mas com um novo sistema de bagagem. É uma parte técnica muito importante. Compramos um sistema completamente novo, com controle de Raio X de todas as malas automaticamente.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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