Realizar busca
- 01/10/2018 - 08:48
‘É hora de parar e repensar o uso da tecnologia’

Dá para pensar hoje em um mundo em que as pessoas, em especial as crianças, vivam felizes, convivam e brinquem longe do celular? Esse foi o cenário que motivou a Bolero Comunicação a criar o projeto Viver pra Valer, desenvolvido para atender uma demanda da Escola Waldorf Micael, que precisa levantar recursos para construir sua sede própria. Para além da demanda, a sacada criativa do projeto, da campanha e peças criadas é a de estimular pais a afastarem suas crianças do celular e serem mais felizes juntos. A Escola Waldorf, que já pratica no dia a dia esse propósito da felicidade, segue um modelo de educação baseado no desenvolvimento humano, tanto cognitivo, quanto emocional e volitivo. O projeto, que foi além da demanda, estimula não só o não uso do celular, mas a promoção da felicidade, e para isso concebeu o Manual da Felicidade, que já está sendo comercializado, além de outras iniciativas. Entre o sonho da sede própria e a realidade, se encaixa o alerta para que as pessoas repensem o que querem para seus filhos. O projeto deve, assim, gerar muito mais que recursos financeiros, mas uma mudança de mindset, de cultura e do próprio conceito de felicidade. Quem conta um pouco aqui mais sobre essa iniciativa é o diretor da Bolero Comunicação, André Mota, que também é “pai Waldorf”.

André, conta um pouco sobre a concepção do projeto Viver pra Valer e o grande desafio com a Escola Wadorf..

Atualmente existem 1.150 escolas Waldorf em mais de 70 países, representando um dos maiores movimentos educacionais independentes no mundo. É uma escola que não tem donos, nem fins lucrativos. Uma associação de pais, professores e alunos. Atualmente, a escola tem 273 alunos e uma limitação de espaço físico. Para que outras pessoas possam ter acesso a essa metodologia revolucionária de ensino, é necessária uma ampliação imediata. É o que estamos tentando fazer nesse exato momento. Tudo começou com a doação do terreno para a construção da escola, viabilizado por uma família que abraçou a ideia e decidiu ajudar com esse primeiro grande passo. A partir daí o projeto começou a ganhar corpo. Buscamos então que, de alguma forma, o projeto de arrecadação pudesse passar um pouco da nossa filosofia, e que fosse construtivo para sociedade, especialmente para as crianças. Assim surgiu o Projeto Viver pra Valer. Um projeto que tem como finalidade incentivar um maior e melhor relacionamento entre pais e filhos longe de aparelhos eletrônicos.

O projeto então acredita que é possível reduzir, ou mesmo substituir o uso do celular por mais momentos de aprendizado, alegria e convivência?

A história nos mostra que faz parte do aprendizado do ser humano o deslumbramento ao se deparar com uma grande novidade, no caso aqui a internet. Já houve casos parecidos com o surgimento do rádio, da televisão e com o consumo de certos produtos ou substâncias. Nos anos 80 era comum ver uma criança portando uma carteira de cigarros de chocolate, o incentivo ao uso era evidente. Com o passar do tempo, após várias pessoas terem perdido a vida ou contraído uma das dezenas de mazelas que o produto causa, surgiu uma maior consciência sobre o uso do cigarro. Até um dia desses a legislação era muito frouxa para penalizar motoristas que dirigiam após o consumo de bebida alcoólica. Hoje já estamos mais atentos a isso. O mesmo acontece agora com a tecnologia. As pessoas por vezes estão apenas de corpo presente em certos ambientes, fazendo contato com outras pessoas que estão a dezenas de quilômetros de distância e também ausentes da vida real nos lugares onde se encontram. Iniciativas como o Projeto Viver Pra Valer funcionam para que essas questões comecem a ser levantadas, para que em algum momento o uso desses aparelhos eletrônicos encontre um espaço de equilíbrio no nosso dia a dia. Para que, como diz o escritor Augusto Cury, em mensagem enviada ao nosso projeto, deixemos para trás a alcunha de “mendigos emocionais”, crianças e adolescentes que às vezes vivem em prédios e condomínios de luxo e mendigam o pão da alegria. Por quê? Porque ficam quase o dia todo plugados na tecnologia, através de smartphones, redes sociais, tablets, televisão e jogos de videogame. Toda criança precisa brincar, se relacionar com outras crianças, se exercitar, e não ficar atrás de uma tela. Você não pode esperar que uma criança consiga crescer saudável vivendo em um mundo virtual. A exposição excessiva às tecnologias pode acelerar o crescimento do cérebro dos bebês entre 0 e 2 anos de idade, e juntamente com a função executiva e o déficit de atenção, atrasos cognitivos, problemas na aprendizagem, aumento da impulsividade e da falta de controle. Ansiedade, depressão, obesidade e até mesmo câncer, que pode ser contraído pela emissão de radiação, são mais alguns dos exemplos.

Quem conhece a escola e seu método parece que se encanta com sua proposta que foca no desenvolvimento humano integral, na contramão de um gap social que favoreceu o uso excessivo da tecnologia. A construção da sede própria, nessa perspectiva, vem para ampliar seu alcance e para fortalecer sua presença local?

Veja você que ironia: no Vale do Silício, meca das maiores empresas de tecnologia do mundo nos Estados Unidos, os estudantes e profissionais mais procurados e valorizados são justamente os que possuem formação nas escolas Waldorf. O artesanal a serviço do tecnológico. Porque crianças que desenvolvem a sua capacidade de imaginar, de improvisar, de enxergar o lúdico nas coisas, acabam por encontrar as soluções mais criativas que as empresas de inovação e tecnologia procuram nesses novos talentos. Penso que as crianças de hoje em dia têm acesso muito precoce a dispositivos que não são adequados à sua idade e discernimento. Acredito que a forma de ensinar da pedagogia Waldorf ajuda a preparar crianças com uma nova capacidade de pensar. Crianças que têm contato diário com a natureza e com várias atividades artísticas. Meu filho, que tem 9 anos, por exemplo, faz bonecos de tricô, está aprendendo a tocar violino e já leu mais de 30 livros. Crianças Waldorf têm um visão diferente do universo. Lá se brinca de corda, casinha, perna-de-pau, entre outras coisas que as crianças inventam. Um lugar que foi pensado levando em conta o livre-brincar e que coloca pequenos desafios de autonomia e desenvolvimento corpóreo a favor do autoconhecimento.

E sobre a questão da felicidade, qual o insight aí, qual a percepção que a cartilha aborda? Precisamos resgatar, ou construir, um ideal de felicidade, estamos desaprendendo a ser felizes de forma natural e consequentemente as crianças também?

A humanidade está passando por um momento de evolução, de transformação muito rápida. Muita coisa vem se perdendo, o afeto, o contato físico, o ato de olhar para o outro. Nesses momentos é hora de parar. Parar e repensar certas atitudes, certos hábitos e valores. Para reconstruir esses alicerces de relacionamentos, as pessoas são as ferramentas para alavancar o processo. Já existem inúmeras campanhas como o Projeto Viver Pra Valer pelo mundo, que buscam chamar a atenção para essa verdadeira epidemia digital. É impossível dar um abraço pelo aplicativo de mensagens ou pela rede social, a troca de energia.

 

Fonte: Diário do Nordeste

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Clima

 

Cotação


Cotações de Moedas fornecidas por Investing.com Brasil.
​​