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- 26/04/2018 - 08:47
Dólar sobe e testa o patamar acima de R$ 3,50

O dólar à vista iniciou os negócios ontem, em forte alta, acompanhando o comportamento da T-Note de 10 anos, ao redor dos 3%. Mas após a máxima de R$ 3,5155 (+1,29%) passou a desacelerar e fechou em alta de 0,45%, a R$ 3,4861.

O volume em negócios totalizou US$ 1,3 bilhão. “Não é o real que está enfraquecendo, é o dólar que está se fortalecendo”, resumiu o economista-chefe da Mapfre Investimentos, Luis Afonso Fernandes Lima.

A alta forte do dólar ocorreu em relação a várias moedas emergentes, diante da aversão a risco maior, com preocupações em relação a um contencioso comercial entre EUA e China, o que gera preocupações com o futuro das exportações globais.

Os dados da economia americana também apontam para uma atividade mais forte, como aumento do otimismo da população, que gera aumento do consumo, que pode afetar a inflação e já a elevação dos juros por lá. “O curioso é que, apesar das questões referentes à economia americana é a próprio dólar que acaba virando um porto seguro para a fuga do risco”, resume Lima. Mas ele já avalia que nos próximos pregões moedas de outras economias desenvolvidas, como o euro, o franco ou a libra, possam também tornar-se mais atrativas para os investidores, o que não vai ser o caso das de países emergentes. “Essas nunca vão ser um porto seguro”, diz.

O real tende a apresentar mais volatilidade, como a vista ontem, com movimentos mais acentuados durante os pregões, porque é uma das moedas mais líquidas dessa cesta.

A moeda americana encerrou no maior patamar desde 6 de junho de 2016, quando alcançou R$ 3,4913. Nessa época, o dólar começou a recuar porque o mercado ainda avaliava que o governo Temer teria força política para aprovar o ajuste fiscal e o Fed sinalizava que os juros americanos não subiriam no curto prazo.

Por conta dos fatores estruturais globais, mais o ano eleitoral brasileiro, investidores esperam volatilidade da moeda nos próximos meses e já identificam que a procura por proteção (hedge) tem se aquecido. O dólar futuro com vencimento em maio subiu 0,36%, negociado a R$ 3,4875 e movimentava US$ 24,3 bilhões. Alguns operadores afirmaram que já havia movimento de rolagem de contratos de câmbio, devido ao fim do mês.

Os analistas também destacaram o desconforto dos investidores com a decisão da segunda turma do STF de retirar processos de Lula do juiz Sérgio Moro, o que pode indicar um cenário mais extremo sobre possível revisão de decisões de Moro e da Justiça de segunda instância de Porto Alegre, isso passou a ser mais um risco no radar.

Ibovespa em baixa A bolsa conseguiu defender os 85 mil pontos ontem em um dia dominado pela cautela nos mercados acionários globais. Na primeira etapa do pregão, o Ibovespa chegou a recuar mais de 1%, indo para a marca dos 84.348 pontos, na mínima, mas amenizou a trajetória de desvalorização com a virada de Nova York na tarde. O índice à vista encerrou em baixa de 0,50%, aos 85.044,38 pontos.

Segundo a B3, os investidores não-residentes (estrangeiros) ingressaram com R$ 210,195 milhões na última segunda-feira (23). Em abril, o saldo acumulado está positivo em R$ 3,498 bilhões, com dez pregões consecutivos de entradas. Em 2018, o fluxo por estrangeiros ficou em R$ 3,54 bilhões.

 

 

Fonte: DCI

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