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- 21/09/2018 - 08:40
Desalento entre trabalhadores do CE é o 3º menor do NE

Fortaleza/Brasília. O Ceará detém, da região Nordeste, o terceiro menor percentual de desalentados, isto é, pessoas que desistem de ingressar no mercado de trabalho ou retomar alguma ocupação para ter renda. Entre abril e junho deste ano, 368 mil trabalhadores cearenses estavam nessa situação contra 329 mil no trimestre anterior, um avanço de 11,8%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Nordeste, são 2.911.000 pessoas na situação.

As mulheres, parte da população da Região Nordeste, pessoas com baixa escolaridade, jovens adultos (de 18 a 24 anos) e pessoas que não são chefes de família são os grupos sociais que mais desistem de ingressar no mercado de trabalho.

Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que se avaliou os microdados extraídos da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), feita pelo IBGE, relativos ao 2º trimestre de 2018. No período, 4,833 milhões de pessoas desocupadas deixaram de procurar trabalho, 203 mil mais do que no trimestre anterior. O Ipea observa que dessas, 59% moram no Nordeste, 54,3% são mulheres, 50% não concluíram o ensino fundamental e quase 70% não são chefes de família.

No Ceará, o atual contingente de 368 mil desalentados é o maior da série histórica, iniciada em 2012. Antes, 355 mil haviam sido observados entre julho e setembro do ano passado. Já o menor patamar dessas pessoas foi registrado no último trimestre de 2013, quando o número não passava de 159 mil.

Uma das principais causas para essa tendência de crescimento é o prolongamento do tempo que as pessoas ficam desempregadas, segundo o analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita.

“Aqui no Ceará, a cada cinco trabalhadores desempregados, um já está nessa situação há mais de um ano. Então as pessoas começam a desistir de procurar, porque acham que não vão encontrar”, explica.

O analista acrescenta que essa situação é frequentemente registrada entre os jovens. No caso das mulheres, a gravidez precoce é um fator decisivo para que elas entrem para essa estatística. “A gravidez de certa forma é algo temporário porque só dura nove meses, mas é um fato que marca e muda completamente a vida dessas meninas, que muitas vezes não conseguem nem terminar o ciclo dos estudos”, pontua.

Já entre os jovens de sexo masculino a explicação atribuída por Erle é o envolvimento com a criminalidade.

Proporção

A taxa de desalento considera as pessoas que não procuraram emprego nos 30 dias antes de responder à Pnad. Apesar de menos afetados pelo desalento, a proporção de homens nessa condição aumentou em um ano, entre o 2º trimestre de 2017 (44,1%) e 2º trimestre de 2018 (45,3%).

Entre os dois períodos também cresceu a proporção de pessoas qualificadas que, apesar do desemprego, desistiram de buscar uma ocupação. Esse é o caso de quem tem nível superior (aumento da taxa de desalento de 4,8% para 5,3%) e de quem tem diploma do ensino médio (de 21% para 22,8%).

Além da observação entre os períodos, o Ipea comparou o perfil das pessoas desalentadas com o perfil da população em idade ativa (PIA).

“Pelo perfil etário, observa-se que, enquanto os jovens entre 18 e 24 anos representam 15% da PIA, eles correspondem a aproximadamente 25% dos desalentados”, descreve o estudo.

O presidente do Ipea, Ernesto Lozardo, assinalou que a redução das taxas de desalento e de desocupação do País dependem da retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e também da melhor formação da força de trabalho.

Segundo Lozardo, a retomada do crescimento do País segue em aberto à espera da aprovação de reformas econômicas, como da Previdência Social e tributária. Ele lembra que as reformas equacionam um “problema conjuntural”, o endividamento do Estado, incentivam investimentos empresariais que geram emprego e renda e podem dar garantias para o financiamento público para áreas estratégicas, como a educação.

A educação é um “aspecto estrutural”, lembra Lozardo ao descrever que a qualificação da mão de obra no Brasil tem em média quatro a cinco anos a menos de escolaridade em comparação a de outros países. Conforme o presidente do Ipea, a qualidade do ensino público no País, acessado pela maioria da população, também afeta a empregabilidade.

“A formação que receberam não se adequa às exigências do mercado de trabalho, quer na área de serviço, quer na área industrial. Isso é estrutural”, explicou Lozardo.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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