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- 13/12/2018 - 09:30
Copom vê baixas expectativas no mercado e decide manter Selic

O cenário continua praticamente o mesmo na economia brasileira. Pelo menos, é o que afirmaram os economistas consultados pela reportagem após o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), de manter a taxa básica de juros brasileira, a Selic, em 6,5% ao ano. A medida demonstra que o mercado ainda estaria aguardando estímulos do governo para sentir novamente a segurança necessária para investir em novos negócios.

Segundo os especialistas, a não realização de reformas estratégicas durante o ano de 2018, como a reestruturação do modelo previdenciário do País, fez com que as expectativas do mercado se mantivessem baixas. Nessa perspectiva, nem mesmo a manutenção de nível baixo para a taxa de juros seria suficiente para impulsionar a retomada da economia.

E é justamente essa mudança na expectativa do mercado que deverá recuperar as perspectivas de crescimento da economia, segundo o economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Eleutério. “Mesmo com a Selic baixa, em 6,5%, o crescimento não veio pela questão das expectativas. Isso tudo porque tivemos um ano político muito difícil e essas incertezas fizeram o mercado postergar os investimentos”, explicou Eleutério.

Além das incertezas sobre investimentos do mercado, o economista também apontou que a fragilidade econômica do setor público – com vários estados e a União passando por dificuldades financeiras -, fez com a situação permanecesse estável em 2018.

“O setor público está com total incapacidade de investimento, com déficit e dívidas públicas muito grandes, então nem a taxa de juros baixo foi suficiente para reativar a economia”, disse Ricardo.

Para Ênio Arêa Leão, economista e sócio da Conceito Investimento, o Copom, além de enxergar um cenário inalterado na economia, estaria aguardando a entrada do novo governo, liderado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. Leão defende que os primeiros seis meses serão fundamentais para a equipe de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, considerando que as principais reformas propostas pelo governo de Michel Temer não foram aprovadas.

Com mudanças na Previdência e no sistema tributário nacional, o governo daria as sinalizações ao mercado de que o Brasil estaria caminhando na direção correta para elevar a confiança no investimento. Corroborando o ponto de vista de Eleutério, Leão acredita que essas seriam alterações para reverter expectativas do setor privado.

Contudo, segundo o sócio da Conceito Investimentos, ainda há muitas incertezas sobre o sucesso do novo governo em aprovar as reformas, vistas como impopulares.

“Esse governo novo vai ter pouco tempo para mostrar ao que veio, no máximo 6 meses, para fazer as reformas que precisam ser feitas, mas ainda há dúvidas se o novo governo irá conseguir fazer”, ponderou Ênio. “Mas a reforma da Previdência causaria um impacto muito grande, com cerca de bilhões reais nas contas públicas, então é muito importante para a retomada da economia”, completou Ênio.

Adaptação

Ainda de acordo com Leão, a manutenção da Selic em 6,5% ao ano, inalterada durante praticamente todo este ano, também é uma consideração do Copom ao período de adaptação do novo governo. Apesar da nomeação para o novo presidente do Banco Central já ter sido feita, Roberto Campos Neto não deverá assumir nos primeiros meses de 2019, mantendo Ilan Goldfajn e parte da equipe no comando da instituição.

“O Copom está analisando esse cenário político, mas precisamos das reformas. Sobre uma reforma tributária não seria preciso nem mesmo reduzir a carga, mas sim otimizar o processo de recolhimento dos impostos e simplificar o modelo”, afirmou Leão.

Capital estrangeiro

Além das reformas, para reativar a economia, o novo governo precisaria focar na atração de capital estrangeiro através da privatização de empresas estatais. As concessões seriam uma boa forma de garantir investimentos nesse período de incertezas e com uma taxa de juros básica com níveis baixos, segundo Leão.

“Ainda temos as privatizações, até porque o governo não teria dinheiro para investir então o setor privado precisaria entrar para auxiliar o desenvolvimento”, disse.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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