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- 11/06/2018 - 09:36
Conheça a escola pública aqui no Brasil que tem aulas de robótica e programação

60% dos jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir, segundo um relatório da The New Work Order. Algumas carreiras se tornarão obsoletas pelos avanços tecnológicos e automação. Sabendo disso, o movimento adequado é que as crianças comecem a aprender tecnologia o mais rápido possível.

No entanto, as aulas que existem na maioria das escolas hoje, sejam elas públicas ou particulares, são de informática básica. Mas a Escola Municipal Avelino da Paz Vieira e a UME Colégio Santista (que ficam no mesmo quarteirão) são exceções. As escolas, localizadas no centro da cidade de Santos, estão oferecendo aulas de robótica, programação, educação financeira e empreendedorismo ao seus alunos.

Por estarem localizadas ao lado do Parque Tecnológico de Santos, os alunos estavam o tempo todo próximos da tecnologia e inovação, mas nunca faziam parte dela – até este ano. O projeto “Santos do Futuro”, iniciativa da Secretaria do Governo, Secretaria da Educação e do Parque Tecnológico de Santos, está promovendo a cultura empreendedora para alunos do 1º ao 9º ano.

A inspiração para criação do projeto surgiu quando o Parque Tecnológico abriu inscrições para a incubação de startups e recebeu projetos pouco atraentes. “Tivemos uma baixa oferta de startups e muito dos projetos que recebemos eram desinteressantes e sem inovação”, comenta Felipe Nogueira, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da prefeitura de Santos.

A falta de cultura empreendedora também foi um fator latente no local e o Parque Tecnológico resolveu, então, investir na base do problema: a educação. Mas, é claro, para o projeto sair do papel, houve um trabalho de convencimento interno com o governo – dos 21 vereadores que foram procurados para apoiar o projeto, apenas três apoiaram (e garantiram o recebimento de verbas para o projeto). Hoje, com o sucesso, a ideia é de aumentar o projeto para mais 9 unidades.

“O maior desafio é o setor público entender que este é um espaço de inovação”, afirma Nogueira. Hoje, além de um espaço de inovação, o “Santos do Futuro” é uma solução a longo prazo inclusive para os problemas socioeconômicos da região, por trazer para salas de aula elementos das profissões do futuro. E o melhor de tudo é que há resposta. “Na sala de aula de programação e robótica, por exemplo, encontramos outro nível de interesse. É recompensador ensinar algo que eles querem aprender”, diz Leandro Bravo, professor de geografia e linguagem de programação.

As escolas que participam do programa são de período integral. Os alunos têm seus dias divididos entre as aulas letivas e extracurriculares, como capoeira, cozinha experimental, rádio, TV e jornal e música. Agora, em dois dias da semana, os alunos têm 1h30 de cada aula.

Os alunos do 2º ao 5º ano têm as aulas extracurriculares na UME Colégio Santista, enquanto os mais velhos – (do 6º ao 9º) possuem aulas pela na UME Avelino da Paz Vieira. Porém, no projeto “Santos do Futuro”, as turmas de 32 alunos são divididas pela metade, pois requerem ainda mais a atenção individual do professor para cada aluno. No total, mil alunos são atendidos pelo projeto.

Por motivos óbvios, os alunos mais novos aprendem sobre cultura empreendedora e outros assuntos com base nos personagens de contos de fada, por exemplo. Na educação financeira, eles aprendem jogando The Sims, Sim City, Banco Imobiliário e Jogo da Vida – jogos que estimulam a lógica ou trazem situações reais para a telinha do computador.

Já para aprenderem programação e robótica, as ferramentas utilizadas pelos alunos são o Scratch – plataforma aberta de programação criada pelo MIT -, o microcomputador Raspberry e caixas de peças de robótica da Lego.

Antes de ir as aulas, a adolescente Ana Carolina, de 11 anos, não sabia o que era robótica ou programação. Quando conheceu, não gostou muito – mas a expectativa de poder criar produtos com personagens que gostava a animou. Ana criou, em aula, um jogo dos Vingadores, heróis da Marvel.

A associação com elementos da “vida real” tem sido a fórmula do sucesso da iniciativa. Na aula de Educação Financeira, os alunos aprendem através de exercícios práticos como a comparação de preço entre os ovos e as barras de chocolate na páscoa, entre outros. “Estou aprendendo sobre a diferença do mercado virtual e local, como funcionam os juros, lucro embutido e a fazer cálculos no excel”, diz o aluno Miguel, que deseja ser engenheiro civil.

Nas aulas de empreendedorismo, são discutidos exemplos de grandes empreendedores, a importância do e-commerce para as empresas, as maiores diferenças das lojas virtuais e físicas, o que é marketplace, entre outros. “É um incentivo muito bacana para levá-los no mercado de trabalho. Daqui a pouco, alguns dos alunos estarão na escola técnica e poderão seguir a carreira que escolherem”, comenta Karla Cañete, professora de empreendedorismo.

A sala de aula está mudando

O “Santos do Futuro” traz uma roupagem diferente não apenas para o conteúdo, mas para as próprias salas de aula. Para combinar com o tema inovação e empreendedorismo, as salas de aula não possuem o formato clássico de cadeiras enfileiradas. Os alunos, que constantemente são inspirados a trabalharem em grupos, se dividem entre as mesas redondas com cadeiras coloridas, podendo trocar ideias a qualquer momento.

O celular, encarado como um vilão em muitas instituições de ensino, é encarado como uma ferramenta de trabalho nas aulas da Santos do Futuro. Tablets também são utilizados. “O nosso sonho é transformar as salas de aula em espaços de inovação. Mas, para isso, temos que provar que nesse ambiente conseguimos tirar muita coisa boa”, explica Nogueira.

No futuro, a expectativa é que o projeto continue e seja expandido para outros locais. “Desejamos criar uma sala para receber os alunos mais aplicados e outra para os alunos regressos – que saíram do 9º, mas querem continuar a estudar tecnologia”, conta. Há muito o que melhorar e crescer ainda. No momento, os alunos estão criando aplicativos nas aulas e deverão apresentá-los aos pais em uma reunião que acontecerá no final de junho – e este parece ser apenas o começo.

Devido a faixa etária dos alunos – que ainda não entraram no Ensino Médio – a entrada no mercado de trabalho não é um assunto recorrente nas aulas. No entanto, é inevitável que o aprendizado de tecnologia abra novas portas para os alunos das escolas Avelino da Paz Vieira e Colégio Santista, principalmente por ser um fator cada vez mais presente nas profissões atuais – e nas que estão surgindo. “Se eu tivesse tido contato na escola com algo assim, eu provavelmente não teria me tornado professor. Com dedicação, os alunos podem crescer e viver disso”, comenta o professor Leandro Bravo.

A iniciativa do Parque Tecnológico e das Secretarias de Governo e Educação de Santos nos mostra como é possível que uma educação de qualidade e cada vez mais alinhada com o futuro que se desenha no país. Esta proposta está em linha do que nós, da StartSe, acreditamos ao incentivar o empreendedorismo e inovação. Desejamos e trabalhamos para que, nas próximas vezes em que a educação for pauta, a UME Avelino da Paz Vieira e UME Colégio Santista não sejam exceções.

 

 

Fonte: Startse

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