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- 18/09/2018 - 08:54
Conheça a CEO que localizou US$ 7 bi em bolsas universitárias

Não são muitos os fundadores de empresas que podem fazer referência a “US$ 7 bilhões”. Mas Charlie Javice, de 26 anos, fundadora do Frank, pode. E, provavelmente, poderá mais uma vez em breve.

Essa é a ajuda financeira que Charlie estima que os estudantes usuários do Frank tenham localizado. “Ajudamos cerca de 300 mil alunos a encontrar entre US$ 25 mil e US$ 30 mil cada um em ajuda para fins estudantis – cerca de US$ 7 bilhões em quatro anos de faculdade”, disse ela.

Esse dinheiro não é emprestado – são doações federais, ocasionalmente estaduais e institucionais, além de outros tipos de bolsas. E isso não é uma distinção trivial para Charlie ou o estado do ensino superior, que está lutando para lidar com a crescente dívida estudantil que recentemente ultrapassou US$ 1 trilhão. “Queremos ajudar os alunos a enxergarem os recursos aos quais têm direito e onde eles estão antes de se endividarem”, diz a empreendedora. “Nós encaramos essa iniciativa como uma ação de prevenção à saúde, pois se fizermos tudo da maneira correta, reduziremos os custos para todos.”

O Frank faz isso, segundo Charlie, por meio de uma interface amigável, projetada pelo aluno, que o ajuda a acessar e a concluir o FAFSA – o aplicativo gratuito para auxílio federal aos estudantes norte-americanos. O FAFSA é o ponto de referência para determinar e distribuir quase toda a ajuda financeira da faculdade e, surpreendentemente, poucos alunos o utilizam para entender seus direitos. “Algo como 90% de todos os estudantes universitários são elegíveis”, disse ela. “Mas quase metade de todos eles, cerca de 47%, nem sequer completam a candidatura do governo porque é muito complicada. Com o Frank, isso se torna um processo simples e gratuito, que leva apenas quatro minutos.”

Muitos estudantes provavelmente acreditam que o processo é mais complicado do que isso. E, de acordo com especialistas, é assim que ele realmente parece ser. “Os alunos e as famílias têm uma infinidade de maneiras e materiais para fazer os pedidos de auxílio financeiro e universitário”, explica o Dr. Aviva Hirschfeld Legatt, colaborador da FORBES e proprietário da VivED Consulting LLC, que ajuda os estudantes a serem aceitos na faculdade. “Qualquer ferramenta que facilite o processo de solicitação de ajuda financeira para as famílias é fundamental, especialmente para aquelas que não contam com o apoio individualizado de sua escola ou de um conselheiro independente.”

A perspectiva de apoio já é motivo suficiente para encontrar e completar o FAFSA. Mas serviços como o Frank também podem ajudar as famílias a descobrirem quanto a faculdade realmente vai custar depois da concessão dos recursos. Essa informação é crucial para o planejamento educacional e ajuda os alunos a escolher escolas e programas que realmente podem pagar.

“É um problema real quando as escolhas acadêmicas são determinadas pelo quanto os alunos acham que essas escolas custam”, diz Charlie. “Avaliações erradas levam ao abandono, empréstimos excessivos e experiências escolares e acadêmicas insatisfatórias.” Ela acredita que sua empresa pode aliviar algumas dessas pressões, uma vez que ajuda os alunos a entenderem suas opções de auxílio e a examinar os custos e benefícios reais de cada alternativa ainda durante o processo de decisão.

Charlie parece uma analista de dados ansiosa quando fala sobre o problema de adequação de necessidades e de como ela aciona outras questões de equidade, acesso e financiamento em educação superior. E ela está certa. Quando os empréstimos estudantis são concedidos, a conclusão do curso é o fator mais correlacionado ao seu pagamento. E as pressões financeiras são a principal razão pela qual os estudantes abandonam a faculdade. Assim, obter boas informações antecipadamente, encontrar o recurso certo e maximizar a ajuda é essencial para a conclusão do ciclo.

O serviço é, de fato, algo que os estudantes precisam. Mas, para Charlie, a questão também é pessoal. “Eu não falo muito sobre isso, mas meus avós foram sobreviventes do holocausto e me ensinaram que a educação é a única coisa que você sempre pode levar com você – é o maior presente e nunca deve ser esquecido”, conta.

Isso pode explicar por que Charlie fala sobre sua empresa em termos de princípio, não de capital. “Se eu pudesse dar um presente a alguém, seria ensino superior”, diz. “Na verdade, o sonho americano exige isso neste momento.” É por isso que ela está orgulhosa do que tem feito. “68% dos alunos que estamos ajudando são mulheres”, revela. “E quase metade dos alunos que ajudamos são a primeira geração de estudantes universitários de suas famílias.” Para eles – e para todos os estudantes universitários – há muita coisa em jogo.

E, claro, também há capital em jogo. De acordo com a Crunchbase, o Frank arrecadou US$ 15,5 milhões em duas rodadas de financiamento de risco. A empresa lançou uma opção de adesão – com US$ 19,90 por mês o candidato pode acessar adiantamentos livres de juros, aconselhamento financeiro individual, acesso a informações sobre bolsas de estudo e vantagens relacionadas a lifestyle, como descontos em ingressos de cinema ou em serviços de streaming.

Mas Charlie prefere falar sobre esses US$ 7 bilhões e o que isso significa – como é importante que os alunos saibam que, quando se trata de encontrar maneiras de pagar pela faculdade, eles não estão sozinhos, e que um empréstimo não é a única opção. “Quero que pensemos em como podemos apoiar os alunos. Quero que eles encontrem maneiras criativas de poupar dinheiro, de fazer suas escolhas, de ter investimentos universitários e de conquistar vidas mais gratificantes.”

 

Fonte: Forbes

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