Realizar busca
- 19/11/2018 - 10:12
Conexões de fibra ótica expandem e impulsionam a economia do Ceará

O título de Terra da Luz, atribuído ao Ceará por ter sido o primeiro estado a abolir a escravidão, pode ser ressignificado a partir do desenvolvimento da fibra ótica no Estado. Isso porque o Ceará atingiu uma marca importante nas telecomunicações, “iluminando” todas as 184 cidades com este tipo de conexão. 

A informação foi confirmada pelo último balanço sobre banda larga da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referente ao mês de setembro de 2018. Ainda segundo o relatório, desde a implementação, em 2011, do Cinturão Digital – malha de fibra ótica instalada pelo Governo do Estado e que liga Fortaleza ao Interior – o número de pontos de conexão por essa modalidade tecnológica deu um salto de mais de 70.000%.

Há oito anos, segundo a Anatel, eram 403 pontos no Ceará, atualmente, são 283.955. Contudo, segundo players do mercado, todo esse desenvolvimento não seria possível sem uma clara visão local, aliada à preocupação de expandir conexões também pelo Interior, representada pelo consórcio de três empresas locais que administra o equipamento: o BWM (Brisanet, Wirelink e Mob Telecom). 

O último levantamento da Anatel indica que a participação do Interior no número de pontos de conexão por fibra óptica passou de 28,69% do total, em 2015 (ano do início da concessão do Cinturão), para 73,66%, revertendo a relação de composição anteriormente dominada pela Capital. Vale ressaltar que, em 2011, 83,87% das conexões por fibra ótica no Ceará estavam instaladas em Fortaleza. 

“Foi a visão local do consórcio administrador que fez com que atingíssemos o objetivo do Cinturão Digital, que é justamente atender o povo do Estado inteiro”, disse Sayde Bayde, sócio-diretor da Mob Telecom. Ele conta que a decisão de abrir a competição da concessão para um consórcio local veio “nos últimos minutos”, mas foi fundamental para promover o desenvolvimento das conexões no Interior. 

Mercado no Ceará
Segundo dados da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), o mercado de fibra ótica no Estado conta com cerca de 500 empresas – a grande maioria delas criadas nos últimos quatro anos e instaladas no Interior. O setor, ainda segundo a Etice, no Ceará, emprega mais de 5 mil pessoas de forma direta ou indireta, além de movimentar aproximadamente R$ 700 milhões por ano. E esses números vêm evoluindo ano após ano. 

“O custo médio do megabyte por segundo há 4 anos era de aproximadamente R$ 200 reais e hoje é de R$ 20, isso significa uma redução de 10 vezes. Isso, com certeza, aconteceu devido à infraestrutura do Cinturão Digital e ao crescimento natural da rede desenvolvida para atender o Interior do Estado”, analisou o presidente da Etice, Adalberto Albuquerque.

A evolução no Interior é comprovada pelo último balanço da Anatel, que indicou para cidades estratégicas, como Juazeiro do Norte e Iguatu, por exemplo, um avanço de mais de 6.000% no número de conexões por fibra ótica de janeiro de 2015 a setembro de 2018. No mesmo período de comparação, Sobral (4.997,35%) e Quixadá (2.631,41%) também apresentaram aumentos consideráveis, confirmando o perfil de crescimento no Estado.

Segundo o presidente da Etice, esse avanço tem retorno claro nos parâmetros de desenvolvimento econômico e social do Ceará. “Os ganhos que temos tido na área da educação, da saúde, dentre outros, acaba sendo também fruto dessa estrutura que foi montada, porque assim a população do Interior pode receber um serviço público de qualidade, além da questão do acesso à internet e à informação, que é fundamental para os indicadores de desenvolvimento de uma região”, disse Adalberto.

Padrão nacional
Esse crescimento não é exclusividade do Estado. De acordo com Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria do setor de telecomunicações, o desenvolvimento do mercado de fibra óptica está acontecendo em todo o País. Contudo, alguns elementos específicos, como o Cinturão Digital, os incentivos do Governo do Estado e os novos investimentos instalados aqui, estão impulsionando a transformação do Ceará em um patamar de centro de referência em telecomunicações na região. 

“O Ceará está virando um grande polo no Nordeste e isso faz com que as prestadoras que atendam na Região não precisem vir até São Paulo, por exemplo, e isso fortalece o Estado. Não dá para comparar ainda com mercados maiores, mas o Ceará está aparecendo como quinto maior crescimento do País nos últimos meses, em relação à fibra óptica”, afirmou Tude. 

Planejamento futuro
O próximo passo, agora, do Governo do Estado, é aproveitar a transformação do mercado de fibra óptica e do setor de telecomunicações para que o Ceará possa se transformar, também, no futuro, em um polo de computação em nuvem e, por consequência, afetar positivamente a indústria de data centers. “O Ceará é hub de telecomunicações de dados para o mundo, são diversos cabos submarinos chegando aqui e que estão conectando o Brasil aos Estados Unidos, Europa e África. Se juntarmos esse fato com a estrutura interna, podemos nos tornar um grande polo de computação em nuvem e impulsionar a indústria de data centers”, ponderou Adalberto.

 

Fonte: Diário do Nordeste

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Clima

 

Cotação


Cotações de Moedas fornecidas por Investing.com Brasil.
​​