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- 29/05/2019 - 07:00
Com dólar decolando, turistas brasileiros gastam menos no exterior

Os efeitos do dólar mais alto – que não deve ficar mais barato tão cedo – já são percebidos nos hábitos de consumo dos turistas do país lá fora. Os gastos dos brasileiros no exterior caíram 10,2% entre janeiro e abril de 2019 em comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com a divulgação do Banco Central (BC) desta segunda-feira (27), nos primeiros quatro meses do ano passado, brasileiros gastaram ao todo US$ 6,5 bilhões em outros países. No mesmo intervalo, neste ano, foram gastos US$ 5,8 bilhões.

Ao longo de 2019, a moeda americana tem enfrentado um rali de alta no Brasil, mais acentuado nas últimas semanas de maio, quando a cotação ultrapassou a barreira dos R$ 4 para nunca mais voltar – o levantamento do BC foi feito até abril, portanto, ainda não capta esse movimento, que deve piorar ainda mais o apetite dos brasileiros por viagens internacionais.

No primeiro quadrimestre, a cotação do dólar comercial avançou 1,6%, indo de R$ 3,87 para R$ 3,93. Hoje, tem girado na casa dos R$ 4.

O real vem se desvalorizando em relação ao dólar à exemplo de outras moedas de economias emergentes. A guerra comercial entre China e Estados Unidos traz insegurança a investidores, que acabam buscando refúgio na moeda americana, o que empurra o câmbio para cima.

Internamente, a insegurança dos investidores vem das dificuldades do governo para se articular no Congresso, aprovar a reforma da Previdência e dar, enfim, início ao ajuste das contas públicas que se arrasta desde o último mandato de Dilma Rousseff.

A diminuição dos gastos de brasileiros no exterior já era uma consequência esperada. Afinal, se a moeda americana fica mais cara em reais, passagens e desembolsos com hospedagem e passeios também ficam mais caro.

Além do câmbio caro, num momento de crise e contenção de gastos à espera de uma solução vinda de Brasília, é natural que os brasileiros que viagem para fora mantenham o escorpião acordado dentro de seus bolsos. Ou, como o Valor Investe já mostrou, que troquem as férias no exterior por dias de descanso no Brasil – veja clicando aqui.

Mas é importante ter em mente: quando o dólar sobe muito, não é só quem tem viagem marcada para o exterior que paga a conta.

Várias matérias-primas usadas por produtores brasileiros são importadas, pagas em dólar. O trigo, por exemplo. Boa parte do que é usado nas padarias de todo o Brasil vem do exterior, e parte dessa alta de custo é repassada ao consumidor.

Logo, se o preço do dólar em reais dispara, não é só quem está com viagem para a Disney marcada que terá problemas (mas, se você está se preparando para conhecer o Mickey, não deixe de ver qual o melhor momento para comprar dólar antes de viajar).

Além do pãozinho, uma série de outros itens consumidos por você no dia a dia também fica mais cara quando o dólar sobe. Por isso, o câmbio nas alturas é um importante foco de pressão sobre a inflação, e pode fazer seu custo de vida subir – clique aqui para entender melhor como acontece sobre a flutuação dos preços na economia.

 

Fonte: Globo

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