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- 23/05/2017 - 15:01
Colapso da JBS: ação opera entre leilões e já cai mais de 44% em 4 pregões; Eletrobras respira e salta 6%

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta terça-feira

JBS (JBSS3, R$ 5,36, -10,37%)
As ações da JBS seguem em derrocada na bolsa, após queda histórica ontem de mais de 30%. Em meio à forte saída de investidores dos últimos dias, os papéis da empresa operam entre leilão na bolsa hoje. Do fechamento de quarta-feira para cá, os papéis da companhia desabam 44%. No olho da eclosão da crise política, o noticiário da JBS é bastante movimentado após a ação ter uma derrocada histórica de 31% na véspera. O colapso do papel e especulações sobre possível ação contra a empresa nos EUA têm comprometido os planos de um IPO da unidade JBS Foods em NY; também pesa sobre a companhia a incerteza sobre o bilionário acordo de leniência, cujas discussões foram retomadas na véspera. O acordo deveria ter sido fechado na semana passada, mas a empresa não concordou em pagar R$ 11 bilhões em dez anos, valor proposto pelo MPF para que o grupo não seja alvo das ações na Justiça. Durante as primeiras tratativas, a J&F ofereceu duas contrapropostas de R$ 1 bilhão e outra de R$ 1,4 bilhão, mas ambas foram rejeitadas pelos procuradores.

Já a companhia informou que as operações continuam em ritmo normal, dentro do plano de negócios” e que “tem uma situação financeira robusta e confia na qualidade de seus produtos e serviços”, segundo comunicado distribuído pela assessoria de imprensa na noite desta segunda-feira por e-mail. A JBS “segue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira no combate à corrupção no país”. “Todos os atos ilícitos que a companhia e seus executivos cometeram no passado foram comunicados à PGR e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal”. 

Vale destacar que a JBS sofre ação coletiva de investidores nos EUA. O processo protocolado por Rosen Law Firm em nome de investidores dos EUA que compraram ADR da JBS trata de comunicados falsos ou enganosos, segundo comunicado. De acordo com o processo, houve declarações falsas e/ou enganosas e/ou falha em revelar que executivos da JBS subornaram autoridades e políticos para subverter inspeções de alimentos de suas fábricas e ignorar práticas insalubres. JBS e outras entidades controladas por Joesley Batista e Wesley Batista, teriam feito transações suspeitas que exibem sinais de possível “insider trading” antes da revelação do acordo de delação premiada pelos principais executivos da JBS. A ação também cita irregularidades atribuídas a empréstimos do BNDES à JBS. O processo, que ainda não foi certificado, busca recuperar os danos sofridos pelos investidores dos EUA após “os detalhes verdadeiros chegaram ao mercado”.

Por fim, o Estadão informa que, mesmo se ficar comprovado que a JBS se beneficiou irregularmente de operações financeiras antes da divulgação do acordo de delação premiada assinado com os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo, os delatores podem ficar impunes e a colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) ser preservada, de acordo com a avaliação de especialistas. 

Apenas com a comprovação de participação direta dos delatores ou conhecimento por eles dos atos ilícitos é que eles seriam punidos e perderiam os benefícios que conseguiram ao celebrar a delação, como o perdão judicial que vai garantir que os empresários não sejam incriminados na Justiça.

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose – Fibria (FIBR3, R$ 34,75, -1,28%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,58, -2,67%) – que conseguiram driblar a crise política e acumulam ganhos desde fatídico pregão da última quinta-feira – tentaram mais um pregão de alta, mas perderam força nesta manhã e viraram para queda. Nos últimos 3 pregões, a alta acumulada dessas ações foi de 21% e 18%, respectivamente. Por sua vez, a Klabin (KLBN11, R$ 16,69, +1,40%), que teve uma alta mais tímida nos últimos 3 dias (+6%), consegue se manter no positivo nesta sessão. 

Em relatório desta segunda-feira, os analistas do BTG Pactual comentam que já vinham defendendo as ações do setor de papel e celulose como “bons hedges” para portfólio antes mesmo da virada no cenário na semana passada e que, agora, mais do que nunca, esses papéis voltam a ganhar destaque depois de alguns meses fora do radar do mercado. 

Eles acreditam que os ganhos recentes sejam sustentados por 3 fatores. São eles: 1) reposicionamento dos investidores para fins de proteção da carteira; 2) potencial revisão para cima de lucros em cima de real mais fraco em relação ao dólar; e 3) reprecificação de um call mais “bearish” de preço de celulose, o que eles vêm pouco espaço para se materializar.

Os analistas recomendam aos investidores que fiquem overweight (exposição acima da média) no setor, sendo Suzano e Fibria (nessa ordem) as suas “top picks”. 

Vale menção que o movimento de correção dessas ações hoje acompanha a queda do dólar frente ao real nesta sessão. O dólar comercial caía 0,24%, a R$ 3,2670 na compra e R$ 3,2685 na venda. 

Vale (VALE3, R$ 27,49, -1,54%; VALE5, R$ 26,12, -1,06%)
As ações da Vale – uma das poucas que conseguiram se salvar da crise política – caem neste pregão. O movimento é acompanhado pelos preços do minério de ferro: a commodity à vista negociada no porto de Qingdao, na China, caiu 1,88% hoje, a US$ 62,00 a tonelada; enquanto os contratos futuros cotados na bolsa de Dailian recuaram 3,23%, a 479 iunes. 

As ações da Bradespar (BRAP4, -1,45%) – holding que detém participação da Vale – também seguem o desempenho negativo, enquanto as siderúrgicas registram ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,54, +1,49%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,37, +2,58%), CSN (CSNA3, R$ 7,06, +2,02%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,93, +1,03%). 

Lojas Americanas (LAME4, R$ 14,37, +2,57%)
Após caírem 18% nos últimos 3 pregões, as ações da Lojas Americanas respiram nesta sessão e aparecem entre as maiores altas do Ibovespa. No radar da empresa, duas notícias: 1) o Santander – que rebaixou a recomendação das ações brasileiras para neutra – incluiu o papel da varejista entre as suas 10 ações preferidas na América Latina; 2) o mesmo Santander elevou a recomendação dos papéis da companhia de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 19,00. 

Petrobras (PETR3, R$ 14,36, +0,35%;PETR4, R$ 13,53, +0,90%)
As ações da Petrobras sobem em dia de respiro do mercado brasileiro. O movimento acompanha também o dia positivo dos preços do petróleo no mercado internacional – apesar dos poucos ganhos registrados nesta manhã. Os contratos do WTI registravam leve alta de 0,10%, a US$ 51,18 o barril, enquanto o Brent subia 0,06%, a US$ 53,90 o barril. 

Destaque para duas notícias sobre a Petrobras. A companhia informou nesta terça-feira que efetuou uma operação de pré-pagamento de dívida com o Citibank, no valor de 500 milhões de dólares e vencimentos previstos para 2017 e 2018, e que simultaneamente realizou a contratação de novo financiamento com a instituição, no mesmo valor, com prazo de vencimento em 2022 e sem garantias reais. “A Petrobras continuará avaliando novas oportunidades de financiamento de acordo com a sua estratégia de gerenciamento de passivos, que visa a melhora do perfil de amortização e a redução do custo da dívida, levando em consideração as metas de desalavancagem previstas em seu Plano de Negócios e Gestão 2017-2021”, disse a empresa em comunicado.

Além disso, a empresa anunciou na véspera que iniciou a etapa de divulgação da venda do Campo de Juruá, na Bacia de Solimões, no Estado do Amazonas, segundo fato relevante da companhia.

A petroleira oferecerá 100 por cento de participação no campo de Juruá e disse que a transação é “oportunidade para desenvolver e monetizar uma descoberta de gás natural”.

Eletrobras (ELET3, R$ 13,21, +6,53%;ELET6, R$ 16,55, +5,08%)
Após caírem 22% nos últimos 3 pregões, as ações ONs da Eletrobras – que são negociadas no Ibovespa – buscam correção parcial na bolsa. No radar, a Eletrobras lançou na segunda-feira um plano de aposentadoria voluntária para até 4.607 empregados, incluindo holding e subsidiárias, como parte das iniciativas previstas no Plano Diretor de Negócios e Gestão para o período 2017-21.

A iniciativa, chamada de Plano de Aposentadoria Extraordinária da Eletrobras (PAE), está sendo implantada simultaneamente na holding e nas empresas Eletrobras CGTEE, Cepel, Chesf, Eletronuclear, Eletronorte, Eletropar, Eletrosul e Furnas, segundo explicou a elétrica.

Em comunicado, a empresa disse que as adesões voluntárias ao PAE foram divididas em dois períodos, sendo o primeiro até o dia 30 de junho, enquanto o segundo ocorrerá entre 10 e 31 de julho. Os desligamentos ocorrerão entre junho e dezembro de 2017.

São considerados elegíveis ao plano empregados com idade igual ou superior a 55 anos e com pelo menos dez anos de vínculo empregatício com a empresa, no momento do desligamento, que sejam aposentados pela previdência oficial ou em condições de aposentadoria pela previdência oficial até a data de desligamento, de acordo com as regras atuais do INSS.

Além disso, também são elegíveis empregados reintegrados e anistiados à empresa por meio da Comissão Especial Interministerial, conforme estabelecido por lei. Nesse caso, não há exigência de tempo mínimo de empresa, idade mínima ou obrigatoriedade de ser aposentado ou aposentável.

Prumo (PRML3, R$ 8,29, -0,72%)
O Porto do Açu Operações, subsidiária da Prumo, assinou contrato definitivo com a TRX Empreendimentos Imobiliários para o desenvolvimento e implantação de um Condomínio Logístico no Complexo Industrial do Porto, segundo comunicado da Prumo à CVM. A TRX será responsável pelo desenvolvimento, com investimento inicial garantido de cerca de R$ 30 milhões. 

BR Malls (BRML3, R$ 11,50, +2,68%)
 O conselho de administração da BR Malls aprovou em reunião na segunda-feira o preço de 11 reais por ação na oferta pública primária com esforços restritos, na qual foram subscritas 157.280.772 ações ordinárias, movimentando 1,73 bilhão de reais.

A Reuters noticiou na véspera, citando fonte a par do assunto, que a oferta da administradora de shopping centers havia sido precificada a 11 reais por ação.

A operação previa a oferta de 136.765.889 ações, que poderiam ser acrescidas de lote suplementar de até 15 por cento, ou seja, 20.514.883 ações.

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