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- 29/10/2018 - 08:36
Centro perpetua relevância econômica para Fortaleza há gerações

Uma breve caminhada nos arredores da Praça do Ferreira – o coração do Centro da cidade – é o suficiente para perceber o quanto aquele bairro oferece de oportunidades. Sejam de compras, de empregos, de passeios, de vida. E essa percepção chega a pelo menos 350 mil pessoas diariamente, em datas não comemorativas. Isso porque, segundo indica a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, o percurso por galerias, ruas e avenidas do bairro chega a aumentar para 439 mil consumidores aos sábados e até 650 mil em datas como o Natal – considerada a melhor para o Comércio.

“O Centro da cidade tem diferenciais competitivos que nenhum shopping, por exemplo, vai ter. O bairro leva as pessoas a caminhar na rua, traz diversidade, variedade, uma oferta maior e é mais democrático em relação aos preços”, atesta a professora da Faculdade de Administração da Universidade Federal do Ceará, Claudia Buhamra.

A pujança econômica é observada ainda na quantidade de empreendimentos instalados na região, que chegam a 7,8 mil. Os segmentos em que atuam é praticamente impossível de se tomar nota, vide a variedade dos perfis de negócios em atividade no Centro, seja nas ruas temáticas ou nos mercados – sempre oferecendo aos clientes aquela lembrança de que ainda falta levar algum item da prateleira para a casa.

Assim, o Centro se sedimenta no cotidiano de grande parte dos fortalezenses, cearenses de outras cidades e filhos da Terra do Sol que foram desbravar outros horizontes, mas quando voltam ao ninho, não deixam de passar pelo coração da cidade para levar uma lembrança física na mala.

Relevância econômica

Cláudia Buhamra ainda aponta a geografia de mercado do Centro como definitiva para configurar o bairro como referência para toda a cidade e Região Metropolitana. “O diferencial de estar ao ar livre, principalmente no atendimento… Aquela coisa de gente boa, descontraído, a variedade de produtos, preços mais em conta, tudo isso aumenta a competitividade”, analisa.

Dentro da teoria da geografia de mercado, ela afirma que o Centro possui todas as três formas: a geradora, a suscetível e a da vizinhança. Isso porque, no caso da primeira e da segunda categorias, a região apresenta megalojas instaladas, que atraem os consumidores ao local e com as quais os pequenos negócios se complementam para satisfazer as necessidades do cliente.

Além disso, há a formação das ruas típicas, onde “empresas iguais, na teoria concorrentes, acabam se avizinhando, porque juntas geram mais negócios e tem mais força que se estivessem isoladas”.

Toda essa articulação, diversa e variada ou articulada em negócios semelhantes, faz com que o Centro de Fortaleza responda por 20% da arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) total de Fortaleza. Segundo dados apurados pela CDL Fortaleza e a Secretaria Municipal de Finanças (Sefin), somente em 2017, a arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviço) na Capital contabilizou R$ 740 milhões, portanto, R$ 14,8 milhões correspondem ao arrecadado só no Centro.

Em 2018, a proporção permanece a mesma. Até setembro deste ano, o Fisco Municipal já arrecadou cerca de R$ 590 milhões. A participação dos negócios do Centro responde por R$ 11,8 milhões desse total. Em relação ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) comercial, o bairro responde por 8,4% (R$ 17 milhões) dos R$ 203,5 milhões arrecadados em toda a Capital cearense em 2017 e 8,4% (R$ 16 milhões) dos R$ 190,7 milhões arrecadados até setembro de 2018.

Esse centro de compras, de muita movimentação, é também, obviamente, o centro das oportunidades: os negócios existentes na região geram 64.350 empregos diretos. Com a proximidade do fim de ano, é visto ainda mais como o lugar de possibilidades, já que nas datas comemorativas como Natal e Réveillon, o bairro chega a receber o volume de 650 mil pessoas.

No hora de comprar

A presença do Centro nas pessoas quando o assunto é compras é explicada pela professora da UFC da seguinte forma: “O consumidor lembra o conjunto de considerações, que são uma série de marcas que ele armazena quando precisa comprar algo. Geralmente, eu tenho duas marcas na lista. Quando você pensa em fazer uma compra, vem um shopping A ou B. Mas se eu souber que no Centro há algo que complete, que seja mais barato, o Centro entra nesta lista”.

O volume de pessoas que recorrem ao Centro na hora da compra denota o quanto essa área da cidade está na memória do consumidor de Fortaleza e Região Metropolitana. No entanto, ir só para comprar, também limita a experiência das pessoas, segundo indica a professora. “Quando eu penso no Centro só para comprar, eu estou limitando as possibilidades que o Centro pode me dar. Eu posso pensar no Centro para passeios, para entretenimento, para turismo e, assim eu abro essas oportunidades”, observa, apontando características muito fortes que aquela parte da cidade pode oferecer, mas que é pouco explorada atualmente.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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