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- 01/10/2018 - 08:45
Brasileiros buscam aplicações no exterior
São Paulo. A queda na taxa de juros, as incertezas da eleição presidencial e a busca por proteção para as variações bruscas do câmbio estão fazendo cada vez mais brasileiros procurarem alternativas em investimentos no exterior para diversificar suas aplicações. Entre dezembro de 2016 e julho deste ano, saltou de 5,8 mil para 56 mil o número de investidores em fundos estruturados no Brasil, mas que têm em carteira ações de empresas americanas, índices acionários como o S&P 500, da Bolsa de Nova York, ou até mesmo moedas como dólar e euro.

Um aumento de quase dez vezes em menos de dois anos, segundo levantamento da gestora de recursos do banco americano J.P. Morgan. O total de recursos investidos nesses fundos subiu quase quatro vezes, de R$ 4,6 bilhões para R$ 18 bilhões, no mesmo período.

“O Brasil é um dos países onde a população mais concentra investimentos em ativos domésticos, especialmente renda fixa. Isso foi resultado de uma das mais altas taxas de juros reais do mundo. O investidor se acostumou a ter um bom retorno investindo em títulos do governo, de pouco risco. Agora, a queda do juro é o principal fator para a procura de outras opções de investimento”, afirma Giuliano de Marchi, responsável pela gestora do J.P. Morgan na América Latina. Com a Selic, taxa básica de juros estabelecida pelo Banco Central, a 6,5% ao ano, o juro real está em pouco mais de 2,5%. Para ter um retorno maior é preciso correr mais riscos, observa Marchi.

Oferta ampliada

De olho nesse movimento, as gestoras ampliaram a oferta no Brasil de fundos com carteiras de ativos no exterior. Há cinco anos, quase não havia oferta de “fundos globais” no país. Atualmente, há uma dezena de gestoras internacionais em atuação no Brasil, como as americanas Pimco, Black Rock e Franklin Templeton, e as britânicas Schroders e Aberdeen. Bancos como o J.P. Morgan e Morgan Stanley também aumentaram a oferta desses produtos. Os fundos globais ainda são destinados a uma parcela restrita de investidores, chamados de “qualificados”. Trata-se de uma classificação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pessoa física ou jurídica que possui aplicações de pelo menos R$ 1 milhão.

No mercado local, os fundos multimercados cobram, em média, taxa de administração de 2%. Alguns ainda possuem a chamada taxa de performance, que pode chegar a 20%. Como os produtos com ativos no exterior são distribuídos tanto para brasileiros quanto para investidores da China ou da Europa, o ganho de escala permite que, em alguns casos, as taxas caiam a até 0,65%. Fundos que investiram no índice S&P 500 há um mês já renderam 3%. Outros que têm em carteira ações da Apple, que subiram de US$ 200 para US$ 225 este ano, também estão no azul. Como a maioria desses fundos é protegida das variações do dólar, o ganho real atrai.

Nos últimos dois anos cresceu a oferta dos chamados Certificados de Operações Estruturadas, espécie de título emitido pelos bancos com rentabilidade atrelada a índices acionários, ações e moedas. O investimento mínimo é de R$ 3 mil e o prazo varia de um a três anos.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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