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- 06/04/2017 - 18:48
Blue chips vão às mínimas: Vale, siderúrgicas e bancos afundam até 4%; Petrobras se descola do petroleo e cai

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa vai à mínima do dia e o dólar dispara nesta quinta-feira (6), com o mercado apreensivo sobre a reforma da Previdência. Questionado por jornalistas nesta tarde, o presidente Michel Temer disse que o movimento de renegociação da reforma não foi um recuo. “Prestar obediência ao que o Congresso Nacional sugere não pode ser considerado recuo”, disse o peemedebista. Mas a declaração não “pegou bem”: o mercado não gostou do que ouviu, disse um operador de mercado ao InfoMoney. 

 

Ajudou a puxar a queda da bolsa também uma reportagem do jornal O Globo trazendo um cálculo do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apontando que mudanças na proposta de reforma da Previdência reduzirão em 10% a economia pretendida pelo governo. 

Com isso, o Ibovespa registrava queda de 1,13%, a 64.042 pontos, segundo cotação das 16h41 (horário de Brasília), pressionado pelas blue chips, que iam às mínimas do dia: Vale, siderúrgicas e bancos caíram entre 2% e 4% nesta tarde. A Petrobras também se descolava do movimento positivo do petróleo no mercado internacional e caía quase 1%. Do outro lado, o dólar futuro disparava e registrava no mesmo momento alta de 0,76%. a R$ 3,161 pontos. Com o movimento, as ações da fabricante de aeronaves Embraer – que se beneficia da alta do dólar – encerrou o pregão como a segunda maior alta do Ibovespa. Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 15,28, -0,33%; PETR4, R$ 14,53, -0,27%)
As ações da Petrobras viraram para queda na reta final, em meio ao noticiário político conturbado no Brasil, mas conseguiram se afastar das mínimas do dia. No pior momento deste pregão, as ações ONs caíram 1,89%, enquanto as PNs recuaram 1,03%. Com a virada de mão nesta tarde, a estatal se descolou dos preços do petróleo no mercado internacional. Os contratos do petróleo Brent subiam 0,94%, a US$ 54,87 o barril, enquanto o WTI avançava 0,90%, a US$ 51,61 o barril. 

No radar, a Petrobras informou hoje que decidiu reduzir em 4% os preços de comercialização do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) destinado aos usos industrial e comercial, assim como para venda a granel às distribuidoras. Segundo a estatal, a redução começa a valer a partir de sábado. A Petrobras esclareceu ainda em nota que os preços de GLP destinado ao uso residencial, comercializado em botijões de até 13 kg (gás de cozinha), não foram objeto de reajuste. O preço do gás de cozinha foi elevado em 9,8 por cento em 21 de março.

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Vale (VALE3, R$ 28,91, -1,83%; VALE5, R$ 27,30, -2,15%)
Assim como a Petrobras, a Vale azedou nesta tarde, indo para mínima do dia na reta final do pregão, quando atingiu queda de quase 3%. Contribuiu para o movimento negativo da mineradora os preços do minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao, que caiu 0,76% nesta sessão, a US$ 80,92 a tonelada. Já o minério de ferro negociado na bolsa chinesa de Dailian recuou 0,88%, a 560 iuanes, na quinta-feira. 

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Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 20,76, -2,81%) – holding que detém participação na Vale – e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,47, -1,69%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,51, -3,84%), Usiminas (USIM5, R$ 3,94, -4,14%) e CSN (CSNA3, R$ 8,66, -2,04%). 

O noticiário para as siderúrgicas também não foi bom nesta sessão: os contratos futuros do vergalhão de aço na China recuaram mais de 2% nesta quinta-feira, pressionados por um crescimento na oferta, enquanto a demanda sazonal no país, o maior consumidor global de aço, parece ser menor do que muitos esperavam.

Além disso, o BTG Pactual alertou nesta manhã que, na edição de ontem à noite, a SBB (Steel Business Briefing) reportou algumas dificuldades na negociação de preço no aço plano para abril. Os preços de HRC e galvanizados caíram entre 2 a 3% em alguns casos – ou seja, os descontos aparentemente começaram. Segundo os analistas, isso deve pesar nos papéis do setor, embora lembrem que o mercado já falava em descontos. ” A demanda segue deprimida e importações estão começando a dar sinal de preocupação. O fator mais alarmante é que prêmio para o preço doméstico está acima de 10% (o que é alto)”, comentam. Para eles, a Usiminas é a mais impactada pela notícia, seguida pela CSN. Os analistas têm preferência pelos papéis da Gerdau.

Bancos
Com o mercado azedando nessa tarde, as ações dos bancos foram abaixo: Santander (SANB11, R$ 25,14, -3,79%) figurou novamente como uma das maiores quedas do Ibovespa, pressionado também pela precificação da sua oferta pública de units. O banco o preço de R$ 25,00 por unit em sua oferta pública de distribuição secundária de 80 milhões de certificados de depósitos de ações. Assim, o montante total ficou em R$ 2 bilhões. A venda foi feita pela Qatar Holdings, grupo de investimento controlado pelo governo do Catar, que se desfez de uma participação de cerca de 2,5% no banco.

Além do Santander, os papéis Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 37,71, -0,79%), Bradesco (BBDC3, R$ 31,47, -0,91%; BBDC4, R$ 31,76, -1,06%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,64, -2,33%) caíram mais de 1% nesta sessão. 

No radar do Bradesco, os investigadores da Operação Lava Jato abriram um inquérito para investigar uma possível operação de lavagem de dinheiro envolvendo o operador Fernando Baiano e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O objetivo é saber se houve fraude e falha no sistema do Bradesco que permitiu o pagamento de R$ 220 mil em propina por meio da compra de um veículo de luxo em 2012.

Segundo o portal Poder 360, o banco teria registrado o pagamento em nome da esposa de Cerveró, Patrícia Anne, mas, segundo o MPF (Ministério Público Federal), quem fez a operação financeira foi Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção instalado na Petrobras. Já o Bradesco afirma não ter sido notificado oficialmente da investigação e também optou por não se manifestar.  Confira mais clicando aqui.

Cielo (CIEL3, R$ 28,42, -2,70%)
O Santander rebaixou a recomendação para as ações da Cielo de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), reduzindo o preço-alvo de R$ 33 para R$ 29. “Depois do rali de 23% desde o final de janeiro, superando o Ibovespa (+21%), estamos novamente preocupados com o valuation esticado da Cielo. Diante do alto nível de incerteza sobre a indústria, analisamos a relação entre preço sobre lucro da Cielo em múltiplos cenários de crescimento e concluímos que o valuation atual representa uma perspectiva excessivamente benigna no ambiente competitivo e regulatório”, apontam os analistas. 

Kroton (KROT3, R$ 13,74, +3,31%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,09, +2,61%)
As ações da Kroton e Estácio voltaram a chamar atenção, figurando entre as poucas altas do Ibovespa, em mais um dia de forte aversão ao risco. No radar, Valor Econômico apontava ontem que os investidores veem maiores chances de que a fusão entre as duas maiores companhias de educação seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A percepção melhor deve-se a dois novos fatores, aponta o jornal: 1) a Kroton montou uma equipe de peso para defender o negócio junto à autarquia antitruste; 2) possíveis resistências à fusão, vindas de dentro da Estácio, foram enterradas de vez, após o vazamento dos e-mails em que o presidente da Estácio, Pedro Thompson, traçava estratégias para barrar a fusão. 

Ainda sobre as duas empresas,  a Kroton soltou um comunicado a mercado a respeito do andamento do processo de aprovação do CADE da combinação de negócios entre Kroton e Estácio, que teve uma extensão do prazo de análise por 60 dias. Sendo assim, o processo deverá ser encerrado até o dia 27 de junho de 2017, mas existe a possibilidade de este prazo ser prorrogado por, no máximo, 30 dias, mediante decisão justificada do CADE. Entretanto, a nota também explica que a decisão do CADE pode ser dada antes do prazo estipulado, não precisando cumprir todo o período que tem a sua disposição para a análise. 

Exportadoras
Também fecharam no campo positivo hoje ações das exportadoras Embraer (EMBR3, R$ 17,34, -2,91%) – que figurou como a segunda maior alta do dia – e Braskem (BRKM5, R$ 32,72, +0,43%), impulsionadas pela alta do dólar frente ao real, que ganhou força na reta final do pregão. Além delas, apenas mais 8 das 58 ações do Ibovespa encerraram a sessão em alta hoje. 

Ambev (ABEV3, R$ 17,91, +0,17%)
Proibido desde dezembro passado de conceder por decreto benefícios e incentivos fiscais a empresas, o governo do Estado do Rio enviou nesta quarta-feira (5) à Assembleia Legislativa (Alerj) um projeto de lei que, se aprovado, concede à fabricante de bebidas Ambev o direito de adiar por 20 anos o pagamento de ICMS de uma nova fábrica, até o valor de R$ 650 milhões.

Conforme a proposta, ao final do prazo esse imposto será pago com uma correção de 3% ao ano. O imposto se refere a uma fábrica de garrafas e latas de alumínio que seria construída em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, ao lado de outra fábrica da mesma empresa, já instalada e que produz cerveja.

Ainda não está definido o dia em que os deputados vão apreciar o projeto de lei, polêmico porque propõe que o Estado do Rio – em meio a uma crise que, entre muitos efeitos, o impede de pagar salários em dia – abra mão do recebimento imediato de um imposto com o qual seria possível quitar alguns de seus débitos.

Para defender a iniciativa, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirma, em mensagem aos deputados, que o novo empreendimento vai gerar pelo menos 200 empregos. Ele diz também que a fábrica está sendo disputada por outros países, como o México.

Em nota, a própria Ambev ameaça transferir o empreendimento, caso não haja incentivo: “A Ambev respeita e aguarda a manifestação do Legislativo e do Judiciário do Rio, a fim de definir o andamento da construção da fábrica ou a realocação do investimento para outro Estado ou país”.

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