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- 18/10/2018 - 09:04
Amazon Web Services quer se aproximar de startups

Das 779 startups que responderam ao censo de 2017 da StartSe, 91,8% têm como principal fonte de recursos o próprio capital dos sócios – essa técnica é chamada de “bootstrapping”. Apesar de ser um cenário quase dominante no ecossistema brasileiro hoje, essa iniciativa não seria possível há alguns anos – antes, era necessário muito capital para construir uma startup.

Mas essa não é uma exclusividade do ecossistema brasileiro: no mundo inteiro, a tecnologia “cloud computing” (ou computação em nuvem) tem tornado não apenas a construção de soluções algo mais acessível para as startups, mas também seus custos.

Quando a “bolha da internet” explodiu, nos anos 90, o processo de criar empresas de tecnologia era muito mais difícil. Em uma época em que a computação em nuvem não existia, as startups eram obrigadas a comprar os próprios servidores para armazenamento de dados. Essa iniciativa não é mais necessária devido a nuvem, que possibilitou inclusive a criação de novos negócios – grandes startups como o Airbnb e Netflix rodam todo o seu modelo de negócios através dessa tecnologia. Hoje, essa é uma realidade também para startups brasileiras, independente de seus portes.

Devido a demanda, existem várias empresas que se destacam ao oferecer serviços de computação em nuvem. O Google, Microsoft, IBM e Amazon são algumas delas – e as líderes no mercado. No Brasil, uma empresa que tem se destacado ultimamente nesse setor é a própria Amazon Web Services, que tem atuado de forma incisiva no ecossistema de startups tupiniquim.

A Amazon Web Services foi criada em 2006 como uma subdivisão da varejista focada em computação. Hoje, a AWS – como é mais conhecida – atua em diversos segmentos de tecnologia, oferecendo soluções para startups e empresas estabelecidas.

“Antes, nós tínhamos o varejo – a Amazon.com. Nós já éramos uma empresa muito grande, robusta, e sabíamos que era muito difícil lidar com a infraestrutura de servidores. O que percebemos é que se tínhamos essa dificuldade, várias outras empresas – pequenas ou grandes – deveriam ter também”, explicou André Nazareth, gerente de desenvolvimento de negócios para startups da AWS, em entrevista para a StartSe. “Obviamente, percebemos que as startups eram a parte que mais necessitavam das soluções, mas atingimos rapidamente todos os setores”.

Hoje, os serviços oferecidos pela computação em nuvem vão muito além do armazenamento – a Amazon Web Services possui cerca de 1.430 diferentes soluções para o setor. O leque de opções vai desde o big data, chatbots e inteligência artificial à sistemas de reconhecimento de imagens e voz, por exemplo.

O fato de esses serviços estarem disponíveis online em uma rede permite que as startups os contratem e utilizem na construção das próprias soluções, poupando recursos. Isso é interessante principalmente para as que estão no início, que não possuem uma grande equipe para desenvolverem as próprias soluções do zero.

A diminuição de custos

A diminuição de custos se dá porque, além de não precisarem mais investir nos próprios softwares ou hardwares, as startups (e empresas estabelecidas) podem contratar os serviços sob demanda. Como em uma conta de luz, as empresas pagam o tanto que consumiram no final. Essa técnica é interessante porque, ainda na época da bolha da internet, as empresas tinham que adivinhar, na tentativa e erro, qual o nível de hospedagem e serviços que precisavam investir. Mas, se a empresa estiver há muitos anos no mercado e sabe exatamente o quanto gasta, é possível também realizar uma “reserva” do quanto gastará e pagar por esse valor.

Para a AWS e outros serviços de nuvem, esse modelo de negócios é positivo porque elas se aproveitam da economia em escala – quanto mais clientes possuem, mais baratas se tornam as soluções. “Desde que a AWS foi criada, foram mais de 67 reduções de preço que repassamos para o cliente”, afirmou Nazareth.

1.430 soluções? As diretrizes da AWS

O gerente de desenvolvimento de negócios para startups da AWS afirmou que a empresa lança esse número de opções de serviços porque “está em seu DNA colocar o cliente em primeiro lugar”. “A Amazon, como um todo, tem alguns pilares: o pilar de foco no cliente, o pilar de economia de escala e o pilar tecnológico. O que acontece é que, ao longo da história, descobrimos que temos várias outras oportunidades além disso”, comentou.

Isso é um reflexo da própria Amazon.com, que começou como um e-commerce de livros e hoje oferece desde os serviços de computação em nuvem através da AWS, a serviços de streaming e produtos de todos os setores. “Quando falamos sobre 1.430 produtos, isso é apenas dentro da AWS. Imagina fora… Temos a Amazon Prime, Amazon Go, Kindle… O universo de inovação é muito amplo, faz parte do dia a dia e sempre quando tivermos oportunidade de explorar novos mercados, outras tecnologias, vamos continuar inovando – isso com certeza”, afirmou Nazareth. “Somos praticamente uma startup grande de tantos projetos e inovações que fazemos”.

Para dar vazão a tantos produtos e projetos e não ter ruídos de comunicação, os times da AWS se organizam no que chamam de “two pizzas team” (time de duas pizzas), em que apenas duas pizzas seriam o suficiente para alimentar uma equipe inteira, como objetivo de tê-las enxutas.

Outro processo utilizado no lançamento de produtos é que, ao idealizarem uma solução, os colaboradores da AWS fazem press releases – anúncios para a imprensa. A ideia é saber se o produto realmente faz sentido para os clientes em termos técnicos e de negócios e se está cumprindo a expectativa inicial. Após os press releases, a AWS desenvolve uma lista de perguntas e respostas e um manual para o usuário antes mesmo de ter a solução pronta. “Só depois que tudo isso é validado é que começamos a desenvolver o novo produto, como forma de garantir que continuamos atendendo o foco no cliente”, disse André Nazareth.

Foco no ecossistema brasileiro

Apesar de suas soluções poderem ser utilizadas por startups há algum tempo, é visível um crescimento no interesse da AWS pelo ecossistema empreendedor brasileiro. Nesta terça-feira (17), a companhia realizou o primeiro AWS Startup Day em São Paulo, um dia focado em aprendizado para as startups. O evento contou com especialistas em cloud da Amazon na sessão de conteúdo técnico e representantes de startups e venture capital de sucesso no país na trilha sobre negócios. Ambas aconteciam de forma simultânea para os empreendedores, desenvolvedores e startups presentes.

Essa não foi a primeira edição do AWS Startup Day em São Paulo, mas também no Brasil. A empresa já realizou esse evento em Londres, Cidade do Cabo, Berlim e Xian, na China, além de várias cidades dos Estados Unidos e da América Latina.

O evento foi realizado no CUBO, co-working do Banco Itaú focado em startups. A AWS fez uma parceria com o local para se manter próximo as empresas brasileiras, mas também se estendeu e realizou parcerias com aceleradoras e incubadoras do ecossistema para que as startups tenham créditos e possam utilizar os serviços da AWS de forma mais acessível.

Além do Startup Day, a AWS também possui, no Brasil, um evento de matchmaking, onde conecta startups com grandes empresas. A terceira edição será em novembro deste ano. “Traremos 15 startups e 15 empresas e fazemos essa conexão para ajudar no processo de vendas”, explica André Nazareth.

A AWS também leva startups para outros eventos fora do país, como AWS Reinvent, em que apresenta suas principais soluções, e para o AWS Summit. A conexão também é feita pelos desenvolvedores de negócios com startups da AWS, como o próprio André Nazareth. “Se tem uma startup querendo ir para a Europa, nós a conectamos com os principais agentes do mercado de lá. Além do lado técnico, também tentamos atuar no de negócios”, afirma.

Falando no lado técnico, a AWS também conecta as startups com desenvolvedores e arquitetos, para auxiliar em processos – em alguns casos, isso está até dentro do pacote e pode ser agendado facilmente pelo próprio site. Para os que estão longe de alguma iniciativa da AWS, a empresa de computação da Amazon também oferece atendimento online através do Activate.

Como o serviço de nuvem mudou a forma de como as startups são construídas hoje, a AWS está agindo para fomentar e incentivar o ecossistema global e do Brasil. Esse é um exemplo de como as grandes empresas podem colaborar com as startups e incentivar que a inovação seja construída em qualquer instância.

 

Fonte: StartSe

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